Ex-assessor de Capez diz que foi procurado para combinar versão

07/04/2016

Máfia da Merenda

Alvo da investigação de um suposto esquema de desvios na merenda em São Paulo, Jéter Rodrigues, ex-assessor do presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez (PSDB), disse à Folha que foi procurado por um subordinado do deputado e por outro ex-assessor, também investigado, para combinar o que dizer em depoimento.

A versão combinada seria sobre o depósito de um cheque da Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), no valor de R$ 50 mil, na conta de Merivaldo dos Santos, o outro ex-assessor de Capez.

Rodrigues diz que recebeu o pedido de assumir o cheque do próprio Merivaldo e de Alexandre Zakir, chefe de gabinete da Presidência da Assembleia Legislativa.

A Operação Alba Branca já colheu provas sobre o depósito do cheque, que seria um pagamento relativo ao contrato da Coaf com a Secretaria da Educação do governo Geraldo Alckmin (PSDB), para fornecimento de R$ 8,5 milhões em suco de laranja.

“O chefe de gabinete , Zakir, me procurou, e eu estive com ele e com o Merivaldo conversando, inclusive meu advogado acompanhou, para que a gente pudesse estar bolando um depoimento, conjunto, em que eu assumisse que passei o cheque para o Merivaldo porque minha conta estava zerada “, relatou.

Rodrigues disse que não aceitou tal versão, que, para ele, tinha o objetivo de livrar Merivaldo, assessor mais próximo de Capez.

“Eu argumentei que, se eu estou com a conta zerada, devendo o carro, e estou com um cheque de R$ 50 mil, eu não vou depositá-lo? Vou dar para outra pessoa? Isso não faz sentido. Eu não tenho por que estar assumindo um negócio que eu não fiz.”

A assessoria de Capez negou ter havido o encontro.

Um dia após a entrevista à Folha, Rodrigues mudou a versão. Pediu à reportagem para destacar que a combinação partiu de Merivaldo.

CONTRATO E DEPÓSITO

Rodrigues atuou como assessor de Capez de 2013 a 2014. Ele relatou, pela primeira vez, que na época das eleições de 2014 fez um contrato de gaveta com o lobista da Coaf, Marcel Ferreira Julio, para “prestação de serviços”, do tipo “ajudar a empresa quando precisasse pegar certidões em cartórios em São Paulo”.

Segundo Rodrigues, o contrato era de R$ 200 mil no total, a serem pagos em quatro parcelas, e foi feito por orientação de Merivaldo, que “tem mais experiência nesse tipo de trabalho”.

Posteriormente, seria passado para o nome de uma empresa de consultoria do filho de Merivaldo.

“A primeira parcela foi esse cheque, de R$ 50 mil, que ficou com o Merivaldo. Quando esse cheque voltou, porque não tinha fundo, eu não quis mais nada com a Coaf, larguei mão e deixei com o Merivaldo”, disse Rodrigues.

Merivaldo é servidor comissionado na Assembleia, hoje lotado no setor de informática. Atuou no gabinete de Capez de 2010 a 2011 e na liderança do PSDB de 2013 a 2015.

Rodrigues disse que ele e seu advogado, Roberto Lamari, estão “preocupados” com o rumo das investigações e que já oficiaram a polícia pedindo para ouvi-lo logo.

OUTRO LADO

A assessoria de Capez negou ter havido o encontro.

O deputado afirmou que repudia com veemência a citação de seu nome e está à disposição para colaborar com as investigações.

A Folha não conseguiu localizar Merivaldo.

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