Ex-cooperado faz acusações na CPI mas não apresenta provas

01/06/2010 17:47:00

CPI da Bancoop

 

Em depoimento reservado aos deputados, o técnico em edificações Hélio Malheiro disse, em depoimento à CPI da Bancoop nesta terça-feira (1/6), sem apresentar provas, que emprestara sua conta bancária para repassar cinco mil reais, desviados da cooperativa e entregue ao seu irmão, ex- presidente da cooperativa, Luis Malheiro (falecido em 2004) que levaria o dinheiro para o PT.  

Ainda segundo o depoente, por três outras ocasiões sua conta teria sido usada e ele teria repassado o dinheiro para seu irmão, que em 2002, foi candidato pelo PT à vice- prefeito da cidade de Praia Grande e veio a falecer vítima de um acidente automobilístico em 2004, em Pernambuco, com outros dois diretores da cooperativa. Indagado sobre os valores dos supostos repasses, Hélio disse que não se lembra.

Sob a alegação de ter sofrido ameaças telefônicas e, a partir de então, abrigado pelo Programa de Proteção à Testemunha do Estado, Hélio é ex-prestador de serviços da cooperativa e teve imóvel reintegrado pela cooperativa, por falta de pagamentos em 2007.

Questionado pelos deputados do PT se tinha como prova a informação de desvio de dinheiro em benefício ao PT, Hélio disse que estava repetindo o seu depoimento realizado ao Ministério Público, ao ser convocado pelo promotor Carlos Blat e que estava relatando o que seu irmão havia lhe dito e não tinha provas, apenas o seu depoimento.    

Hélio informou que, de 1999 a 2002, foi funcionário da Bancoop contratado por meio de sub empreiteiras, iniciou como auxiliar administrativo e depois foi qualificado à técnico de edificações. Em 2003, ele teria sido induzido à abrir uma empresa e passou a ser prestador de serviço à cooperativa até 2005, quando fora dispensado pelo então presidente da cooperativa, João Vaccari, por falta de serviços.

De acordo com suas declarações, seu irmão Luis Malheiro teria lhe dito que a Bancoop teria emprestado dinheiro à Bangráfica a pedido do então presidente da cooperativa, João Vaccari Neto. Também sobre este assunto ele diz não ter como provar. 

“Para o cooperado só interessa estar morando em sua casa”

Marcos Sérgio Migliaccio, em resposta às indagações dos deputados tucanos que insistem em partidarizar a CPI, ao direcionarem perguntas aos depoentes sobre possíveis envolvimentos de políticos com a Bancoop, destacou que “para o cooperado só interessa estar morando em sua casa. Aqui é uma casa política que tem o poder de acelerar as investigações, por isso viemos aqui. Queremos que venha à luz a verdade”, explicou o depoente.

O líder da Bancada do PT, Antonio Mentor, salientou o direito legítimo dos cooperados em quererem resolver seus problemas: “como o próprio depoente disse, têm cooperados que estão felizes e outros que entraram na Justiça por não concordarem com as cobranças”.

Migliaccio é cooperado junto com sua mãe e representante da Associação dos Adquirentes do Edifício Cachoeira (no bairro Mandaqui – Capital), que entrarão com ação judicial contra a Bancoop pela cobrança da diferença do custo da obra (resíduos), três anos após a quitação dos apartamentos. A Bancoop também move ação contra os moradores reclamando os valores não pagos. Segundo Migliaccio, várias sentenças de juízos da primeira instância dão ganho de causa aos cooperados, com a observação de que o saldo residual cobrado pela cooperativa é inexigível.

O cooperado também denunciou que várias unidades de seu prédio estão sendo penhoradas em ações trabalhistas movidas contra a Bancoop. Isto porque, os moradores ainda não têm escritura e os imóveis ainda estão em nome da cooperativa. Ele também demonstrou sua preocupação com a dívida acumulada da cooperativa, que em dezembro de 2009 somavam R$ 18 milhões, referentes a empréstimos obtidos para terminar obras. Migliaccio questionou se estes valores também não serão cobrados dos cooperados.

Se há provas, têm que ser apresentadas

Ao final dos depoimentos, o deputado Vanderlei Siraque apresentou ao presidente da CPI requerimento solicitando que seja juntado aos autos da comissão documento mencionado, pelo deputado Bruno Covas, em  reportagem do jornal O Estado de São Paulo, publicada em 19 de maio. Segundo o jornal: “trata-se de uma carta que teria sido redigida por Malheiro em 2002 e chegou às mãos de parlamentares do PSDB”. Na reportagem Bruno Covas afirma: “o conteúdo do texto que enfaticamente pede votos e cita Vaccari”.

Para Siraque, se a carta existe é preciso que seja anexada aos autos para conhecimento e análise de todos os integrantes da CPI: “aqui nos temos que trabalhar com provas. Até agora o que existe é uma angústia dos cooperados, causadas pela má gestão do Sr. Malheiros”. Referindo-se a relação de direitos e deveres entre coooperativa e cooperados, o deputado destacou que “nós nos solidarizamos com os cooperados, mas para dar certo com os cooperados tem que dar certo com a Bancoop, porque estão todos no mesmo barco”.

 

 

 

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