Ex-funcionária da Educação foi pressionada por ex-assessor de Capez e lobista da COAF

09/11/2016

CPI da Máfia da Merenda

Crédito: Kátia Passos

Ex-funcionária da Educação foi pressionada por envolvidos na máfia da merenda

Marilena de Lourdes confirmou à CPI da Máfia da Merenda que recebeu diversas ligações de Jéter Rodriguez pressionando assinatura de contrato. Depoente também reafirmou vários erros no processo ocorridos na Secretaria de Educação.

A 17ª reunião da CPI da Máfia da Merenda, que investiga fraude no fornecimento de merendas para escolas do estado, ocorreu nesta quarta (09), e ouviu Marilena de Lourdes da Silva, ex-diretora do Departamento de Suprimentos e Licitações (DESUP), da Secretaria da Educação.

Marilena iniciou seu depoimento dizendo que foi procurada na Secretaria da Educação por um “fortinho”, referindo-se a Cássio Chebabi, ex-presidente da COAF (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar) suspeito de chefiar o esquema. Na conversa que tiveram, ela pediu que ele esperasse o contato da Secretaria. Marilena afirmou também ter recebido várias ligações de Jéter Rodriguez, que se identificava como funcionário do gabinete do deputado Fernando Capez, atual presidente da Assembleia Legislativa paulista.

Mais uma funcionária da Educação que admite irregularidades no processo da COAF

A ex-funcionária da Educação, ao ser indagada pelos deputados Alencar Santana Braga e Márcia Lia, admitiu ter visto incoerências na Secretaria da Educação com relação às chamadas que envolveram a COAF. Marilena afirma que o setor Jurídico da Secretaria nunca foi favorável a chamadas públicas. Além disso, a depoente considerou “confuso”o parecer jurídico que foi emitido.

“O jurídico havia dado um parecer que orientava chamada pública e não pregão. Mas o mesmo parecer estava confuso, o promotor falava em PPAES , depois falava em FNDE e havia outros problemas de documentação dentro do processo. Participei de uma reunião entre Rodrigo Pimenta, Dione e Vanessa e decidimos considerar a chamada pública. Eu assumo que na transição de coordenação, conversei com a Dione Di Pietro e orientei a não assinar um contrato com tantos problemas.”

Para complementar, a depoente expôs os motivos pelos quais desconfiou da índole da cooperativa: a cooperativa não apresentou planilha de preços e também não justificou à Secretaria ausência destes dados; Rodrigo Pimenta, funcionário do DAA (Departamento de Assistência ao Aluno) não era habilitado para assinar edital, no entanto, ele assinou o de 2013; foi concedido prazo extra para COAF anexar documentos ao processo, o que não é praxe.

Quando Marilena começou a falar dos assessores de Fernando Capez (atual presidente da Alesp) envolvidos no esquema, o deputado petista Alencar Santana Braga pediu mais detalhes e então a base governista abandonou o plenário, derrubando a sessão por falta de quórum.

Marina Moura

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