Ex-gerente da Nossa Caixa alerta quanto à improbidade administrativa do governo tucano

27/04/2006 18:50:00

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Bancada Petista – CFO Alesp

Jaime de Castro Junior, ex-gerente de marketing da Nossa Caixa, em sua declaração de abertura, salientou que sempre recebeu ordens, lembrou que não sabe oficialmente qual foi o motivo de sua demissão, falou ainda que após questionar procedimentos internos da diretoria, por não concordar, foi excluído do “staff” da Nossa Caixa e foi categórico: “eu não faço parte do grupo do presidente”.

Renato Simões requisitou cópia do texto com a declaração inicial de Jaime de Castro Junior e apontou que os relatos sobre os procedimentos internos da Nossa Caixa feitos pelo ex-gerente, desmentem o presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro, que depôs em reunião do dia anterior.

Mario Reali perguntou a Jaime de Castro Junior, quem eram seus superiores e quis saber também, como eram os procedimentos de rotina na operação do Sistema de Comunicação do governo (SISCOM). Castro Junior afirmou que era subordinado direto do presidente do banco, e que gerava informações de balanços mensais ao SISCOM. Quando Reali perguntou da gestão de contratos, Castro Junior disse que todos os contratos do banco tinham seu fluxo de execução, pré-estabelecido.

O ex-gerente, destacou que o presidente do Banco Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro, sabia que os contratos estavam vencidos antes dos pagamentos serem efetuados, falou ainda que é rotina interna do banco, comunicar o encerramento de contratos.

Enio Tatto líder da Bancada, indagou sobre o procedimento de instalação da sindicância interna da Nossa Caixa, no caso dos pagamentos às agências sem contrato. Tatto disse estranhar que um funcionário concursado com 28 anos de carreira no banco é demitido, enquanto que outras pessoas com ligações políticas são contratadas sem critérios administrativos, e em cargos superior, referindo-se a Roger Ferreira que foi admitido sem concurso e com salário maior que o do presidente da instituição, pago pela Agência Full Jazz de publicidade, beneficiada pelos pagamentos sem contrato. Castro Junior disse que os integrantes da comissão de sindicância foram nomeados pelo presidente da Nossa Caixa, um dos envolvidos na investigação.

Tatto questionou Castro Junior sobre o patrocínio da Nossa Caixa à Escola de Samba Leandro de Itaquera; o deputado lembrou que o patrocínio foi no carnaval deste ano quando a escola homenageou o ex-governador Alckmin, na ocasião inclusive o carnavalesco da escola de samba declarou sua simpatia ao PSDB e afirmou que o samba enredo sobre a calha do Tietê fo para atender um pedido direto do ex-governador. Castro Junior, disse que assuntos desse porte provavelmente foram tratados direto com o presidente do banco.

Seguindo a linha de perguntas petistas o Roberto Felício perguntou a Jaime de Castro Junior sobre possíveis pressões do governo estadual a fim de liberar verbas para veículos de mídia ligados a deputados Estaduais. Castro Junior respondeu que Roger Ferreira, que desempenhava o papel de assessor do presidente do Banco, insistia em certos anúncios, como o da Revista da Federação Paulista de Futebol, que publicou uma reportagem de seis páginas com o ex-governador. Para Castro Junior esses anúncios muitas vezes não justificavam o investimento feito.
Roger Ferreira ao sair da Nossa Caixa passou a ser assessor especial de comunicação do ex-governador Alckmin. Castro Junior afirmou ter sido pressionado pelo próprio presidente do banco a patrocinar um evento no Credicard Hall no valor de R$ 40mil, ainda segundo Castro Junior o valor inicial era de R$ 70 mil e após sua intervenção foi reduzido. O presidente alegou interesse político e solicitou que o pagamento fosse adiantado, ao contrário da prática do mercado de eventos.

Outro fato trazido à tona no depoimento de Jaime de Castro Junior foi a quebra de sigilo bancário de funcionários da Nossa Caixa, sem ordem judicial, realizado pela comissão de sindicância interna, com o objetivo de detectar movimentações que pudessem constranger a pessoa investigada, e construírem provas. Castro Junior disse que seus familiares e sua namorada tiveram seu sigilo bancário violado.

Candido Vaccarezza, destacou a contradição entre os depoimentos do presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro e da atual gerente de marketing Marli Matos, ambos confirmaram não saber dos contratos de publicidade vencidos. Jaime de Castro Junior disse que sabiam, e contextualizou que o presidente do banco ao ser indagado respondeu “que já sabia e cuidaria”.

A bancada tucana tentou pressionar Jaime de Castro Junior, alegando que ele estava abalando a instituição que dizia querer preservar. O ex-gerente respondeu que em nenhum momento tentou desqualificar o Banco Nossa Caixa, que sua intenção sempre foi fazer o que é correto.

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