Falha técnica causou pane que parou o metrô. Não foi blusa, nem sabotagem

03/11/2010 16:39:00

Panes

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Perícia do Instituto de Criminalística (IC) indicou que a pane no Metrô, em 21 de setembro último, que paralisou durante duas horas a Linha 3- Vermelha e prejudicou e provocou  pânico para aproximadamente 250 mil usuários não foi causada por uma simples blusa, ou por sabotagem, como havia sugerido diretores do Metrô e autoridades do Estado, na ocasião. Segundo a perícia, a causa da pane foi provocada por um problema técnico em um equipamento localizado acima das portas dos trens.

No dia do incidente, o governador Alberto Goldman afirmou que uma sindicância iria apurar se a pane foi acidental ou proposital. Ele chegou a admitir que falhas recentes no transporte público da Grande São Paulo preocupavam o Estado. E deixou no ar a hipótese de que a paralisação teria sido uma sabotagem, com cunho eleitoral. “Não sabemos a motivação pela qual você encontra uma porta que não foi fechada pela ação de alguém. Se foi casual ou motivado, se foi um acidente ou foi proposital, nós queremos saber.”

Na época, o líder da Bancada do PT, deputado Antonio Mentor, afirmou que “na verdade, todas estas panes apenas mostram a fragilidade do metrô paulistano”. E ironizou a declaração do governador Goldman: “tivemos a pane da blusa ‘vermelha’. Seria cômico se não fosse trágico. Só que nem sempre é véspera de eleição, como agora, e se tenta desesperadamente encontrar uma digital ‘vermelha’ para incriminar”, frisou o deputado.

Agora, com a conclusão da perícia técnica, Goldman deixou claro que o incidente foi provocado por pane técnica. “Em nenhum momento achei que fosse sabotagem. No trem lotado, alguém encostou no botão de abrir a porta e todos começaram a descer, já que o trem não andava”, explicou. Técnicos do Metrô ainda estudam uma solução para o problema que, em tese, pode voltar a se repetir com a superlotação das composições.

Superlotação

De acordo com o governador, o laudo detalha que a superlotação de uma das composições próximo da Estação Sé fez um equipamento – denominado micro switch – emitir o sinal de porta aberta, para impedir o condutor de movimentar o trem. Esse aparelho deve impedir que a composição saia de portas abertas, mas também pode ser ativado se as folhas da porta forem pressionadas pelos corpos dos passageiros. Como o trem estava superlotado, a porta foi realmente pressionada, o que acionou o sinal.

A mesma superlotação pode ter feito o corpo de algum passageiro encostar no botão de emergência (mais conhecido como botão soco), que permite a abertura das portas enquanto o trem está parado. Em seguida, os passageiros começaram a descer para a linha, o que provocou o desligamento da energia elétrica para proteção dos usuários. “Aí os trens começaram a parar e todo mundo desceu para a linha”, disse Goldman.

Danos só para fuga. No da pane, o diretor de Operações do Metrô, Conrado Grava de Sousa, havia informado que uma blusa havia impedido o fechamento das portas. Mas a polícia não encontrou nenhum indício de que tenha havido um ato intencional de um sabotador para provocar a pane. Também concluiu, pelo menos preliminarmente, que todos os danos causados em 18 trens se deveram a tentativas de escapar das composições – e não se tratou de atos propositais.

Para a polícia, se o objetivo fosse provocar a pane, equipamentos como bancos e monitores de televisão dos trens também seriam alvo dos supostos agressores – o que não aconteceu. Apenas vidros foram quebrados. Dois dos trens danificados passaram por perícia. O restante foi consertado e voltou a operar no mesmo dia.

*com informações do jornal O Estado de S. Paulo – 3/11/2010

Veja abaixo o quadro de panes no metrô de São Paulo.

 

 

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