Faltam médicos no Iamspe

24/03/2008 12:41:00

Saúde

 

Diretores do Hospital do Servidor Público Estadual afirmam que a além da falta de médicos bem remunerados, o Iamspe apresenta dificuldades de ordem estrutural e setores não informatizados.

Demerval de Mattos Junior, diretor do Serviço de Urologia do Hospital do Servidor Público Estadual, em 18/03, na reunião da Comissão Especial que analisa medidas para recuperar o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), para apresentar a crítica  situação em que se encontra o seu departamento e todo o hospital.

“O Hospital do Servidor foi dimensionado para atender 250 mil pacientes, mas hoje atende mais de 1 milhão de pessoas, número que vem aumentando no decorrer dos anos, ao contrário dos salários dos servidores, que ganham pouco”. Atualmente, o instituto se mantém apenas com o dinheiro descontado dos servidores, 2% do salário de cada um.

Baixos Salários

Mattos Jr. afirmou que falta uma série de coisas básicas para um urologista trabalhar. “A idade média dos pacientes atendidos no Hospital do Servidor é de 55 anos, então imaginem até que idade chegam os nosso pacientes. Não damos conta de tanta gente dentro do Serviço de Urologia e a nossa maior deficiências é de médicos.”

“Um médico do Hospital do Servidor ganha em média R$1.600,00 por mês, para uma jornada de 20 horas de trabalho. Do ponto de vista de pagamento eles estão recebendo uma quantia que é realmente pequena.”

Além de problemas na área de recursos humanos, o hospital apresenta dificuldades de ordem estrutural. “Não temos nem equipamento de radiologia e a cardiologia não funciona por falta de médicos. Tudo isto torna o hospital inviável. E essa inviabilidade vai se tornando cada vez mais difícil.”

Falta de Informatização

A ausência de informatização dos setores provoca atraso na conclusão dos casos com eficiência. “Nós somos uma instituição com reconhecida excelência em diversas áreas médicas, realizamos transplantes e fazemos 250 diagnósticos de câncer de próstata por ano e todo o tratamento. Sem informatização um hospital de ponta não consegue trabalhar hoje.”

Quanto à demissão dos 300 trabalhadores do Iamspe, entre eles 80 médicos, dispensados por José Serra no final do ano passado, Mattos Jr foi categórico. “A demissão desses funcionários sem nenhum aviso prévio foi um verdadeiro desmonte”.

Novo Superintendente

Questionado pelo Deputado Adriano Diogo, presidente da Comissão de Saúde, sobre as expectativas em relação ao novo superintendente do Iamspe, Latif Abrão Junior, o diretor do Serviço de Urologia afirmou que foi realizada apenas uma reunião geral e que ele se propõe a reunir com todos os diretores.

Adriano Diogo perguntou se durante essa reunião ele sinalizou se vai manter as políticas desastrosas da administração passada. Mattos Jr. limitou-se a repetir uma frase do próprio Abrão Jr: “O Superintendente tudo pode”.

Para o diretor do Serviço de Anatomia Patológica do Hospital do Servidor, professor Matosinho, também presente na reunião, a fase áurea do hospital se deu na década de 60. “Agora, parece que resolveram fazer economia às custas dos funcionários públicos. O atendimento hospitalar continua bom. Já o atendimento clínico é precário pelo pouco número de médicos disponíveis.”

 

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