Flagrado trabalho escravo em confecção de SP

22/03/2013

Ilegalidade

Fiscais flagram trabalho escravo em confecção de São Paulo

Empregados, a maioria imigrantes bolivianos, trabalhavam de 16 a 18 horas por dia e não tinham direito a férias e décimo terceiro salário

Fiscais do Ministério do Trabalho flagraram nesta sexta-feira (22/3) a empresa Core Confecção e Manufatura explorando mão de obra em condições análogas à escravidão numa fábrica do bairro Belezinho, zona leste da capital paulista. A maioria dos trabalhadores é de imigrantes bolivianos.

Segundo informações prreliminares, a Core produziria roupas para várias marcas famosas, entre elas a Gap e a Diesel.

Na fábrica, as pessoas trabalhavam de 16 a 18 horas por dia, ganhavam R$ 3 por peça produzida, eram obrigadas a fazer suas refeições no local de trabalho e não tinham direito a férias nem 13º salário. A situação já durava de dois a três anos.

Os trabalhadores estão neste momento na sede da Superintendência Regional do Trabalho, no centro da cidade, assinando termos de indenização trabalhista. Após a regularização de todos os eles, os responsáveis pela operação darão entrevista coletiva para dar detalhes sobre as possíveis punições às empresas envolvidas.

Comissão de Direitos Humanos

As denúncias de situação análoga do trabalho escravo praticada pela Zara pautaram, em setembro de 2011, reuniões da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado do PT, Adriano Diogo.

Na ocasião, os representantes da Zara não responderam às indagações dos deputados e se limitaram a dizer que desconheciam o problema, apesar de pagarem R$ 6,00 por uma peça que era vendida nas lojas por R$139,00, de acordo com informação prestada pelo auditor do Ministério do Trabalho, Luiz Alexandre de Farias.

Um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o trabalho escravo foi protocolado. A proposta de CPI conta com o apoio de 42 parlamentares, mas atualmente o regimento da Assembleia paulista estabelece que só pode haver simultaneamente cinco CPIs em atividade. No caso da investigação do trabalho escravo no Estado, conforme a regra atual, seria apenas o 16º item da fila.

*com informações da Rede Brasil Atual e PT Alesp

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