Frente em defesa da Educação é lançada e Simão Pedro assume presidência da Comissão

15/05/2008 13:12:00

Educação

Crédito:

 

O deputado Simão Pedro foi eleito, nesta quarta-feira (14/5), por unanimidade, presidente da Comissão de Educação em substituição ao deputado Roberto Felício, que fica exclusivamente dedicado às atividades de líder da Bancada petista.

Elogiado por todos os deputados da Comissão, o deputado Simão Pedro disse sentir “muita honra de ser eleito e, além da honra, sabe da grande responsabilidade que é presidir a Comissão de Educação. Vou tentar exercer o mandato com o maior espírito democrático possível. Por causa dos grandes desafios que tem pela frente, esta comissão é uma das mais importantes”, disse Simão Pedro. O deputado também destacou que a Comissão estará focada nos próximos meses, principalmente, na discussão do Plano Estadual de Educação.

Frente será instrumento de mobilização

Nesta quarta-feira (14/5), também aconteceu, por iniciativa do deputado Roberto Felício, o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Educação, que contou com a presença de representantes da Apeoesp, Afuse, CPP, Apampesp, CUT, UMES, Sindicato dos Trabalhadores dos centros Paula Souza e Sindicato dos Psicólogos.

Para Felício, a frente é um instrumento de mobilização que envolve os deputados e proponentes de ações políticas. “É um espaço para as entidades pautaram os parlamentares”, acrescentou.

A deputada Maria Lúcia Prandi destacou que “a Frente tem que fazer a pressão de fora para dentro e ganhar as ruas, porque o tema da Educação diz respeito a todos os cidadãos”.

Os deputados do PT, Simão Pedro, Enio Tatto e Hamilton Pereira, que também integram a Frente, enfatizaram a importância da Frente para o debate e apresentação de propostas que visem melhorar a Educação no Estado. Tatto salientou que não há prioridade para a Educação no Estado e que a seqüência de governos tucanos é a responsável pela catástrofe que se encontra e Educação.

Os representantes das entidades destacaram ainda que a Educação precisa voltar a ser prioridade em São Paulo. “Lutamos pela Educação de qualidade, que passa fundamentalmente pela escola pública de qualidade”, afirmou o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro.

Antonio Carlos Assunção, representante da Afuse, enfatizou que “a preocupação do governo tucano é dizer que a Educação está como está por culpa dos funcionários. Um absurdo, uma vez que o governo do Estado não em pessoal e só pensa em fazer a terceirização das escolas. Quando o governo Mário Covas assumiu, éramos 66 mil funcinários na área administrativa e hoje somos apenas 30 mil”.

A preocupação com a defasagem dos salários dos professores aposentados também foi abordada e será um dos pontos a ser tratado pela Frente.

Ensino da rede estadual é reprovado

O Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (IDESP) aponta que em uma escala de 0 a10, a rede de escolas estaduais de São Paulo ficaram com as notas 2,54 para o ensino fundamental e 1,41 para o médio.

Leia matéria publicada no site Folha Online, em 14/5/2008:

Levantamento reprova ensino na rede estadual de São Paulo

Numa escala de 0 a10, a rede de escolas estaduais de São Paulo ficou com as notas 2,54 para o ensino fundamental e 1,41 para o médio. Apenas duas escolas do ensino médio conseguiram tirar a nota 6, padrão dos países desenvolvidos.

 

 

 

Obtido com exclusividade e previsto para ser divulgado amanhã, a tradução do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), que combina notas e fluxo escolar, é que as escolas estaduais estão reprovadas –ou seja, os alunos conhecem pouco de matemática e língua portuguesa, além de estarem com a idade defasada para série em que estão matriculados. É a primeira vez que esse indicador é divulgado.

Se planos de melhoria da educação funcionarem, apenas em 2030, as escolas estaduais chegarão ao nível existente hoje nos países desenvolvidos, que é 6 –apenas dois colégios paulistas, entre mais de três mil, conseguiram atingir esse patamar.

A secretária da Educação, Maria Helena Guimarães, reconhece os problemas de qualidade de ensino, comentando que, pela primeira vez, o sistema consegue chegar a um “grau tão alto de transparência” – a idéia é, além das medidas já anunciadas anteriormente (recuperação, unificação dos currículos, bônus por desempenho), desenvolver um plano especial para as unidades com pior desempenho, usando, por exemplo, professores tutores em sala de aula para ajudar os demais professores.

A melhor escola no ensino médio está localizada em Santo André (Papa Paulo 6º), com nota 6,2; em segundo lugar, Batista Dolci (5,39), de Dolcenópolis; em terceiro, Corifeu Azevedo Marques (4,8), de Aparecida do Oeste.

Nenhuma escola da cidade de São Paulo conseguiu atingir a nota 5. As cinco melhores são, pela ordem, Raul Fonseca, Escola de Aplicação da USP, Rui Bloem, Carlos Maximiliano e Alves Cruz.

Um dos fatos que chamam a atenção da secretária é a disparidade entre as escolas. Apesar dos salários serem iguais e de as condições econômicas serem semelhantes, alguma delas apresentam ótimos resultados, comparáveis ao de países ricos. Ela disse que pretende detalhar mais o funcionamento dessas escolas para que se revelem mecanismos de melhoria da educação. Um dos fatores é o engajamento do corpo docente (professor e diretor), além da participação dos pais e da comunidade.

GILBERTO DIMENSTEIN

Colunista da Folha Online

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.