GÁS NA BACIA DE SANTOS

23/05/2006 16:50:00

Até o final de junho ou início de julho, a Petrobras realizará um fórum para expor, a segmentos empresariais e prestadores de serviço da região, quais as demandas do Escritório de Negócios de Gás e Petróleo da Baixada Santista (ENGPBS) geradas pela exploração e comercialização do gás da Bacia de Santos. O evento será promovido através do Prominp, programa específico do Ministério das Minas e Energia.

A informação foi divulgada na última sexta-feira (19), na sede do escritório, durante reunião entre gerentes da unidade e a deputada federal Telma de Souza, a deputada estadual Maria Lúcia Prandi e o vereador Ademir Pestana (todos do PT). Segundo o gerente geral José Luís Marcusso, a intenção da empresa é, por meio do fórum, colocar para os empresários locais quais os tipos de produtos e serviços que as operações direta e indiretamente ligadas à exploração do gás vão necessitar. /a expectativa é que os empresariado se capacite para suprir essas demandas, já que a empresa dará preferência a contratações regionais, sempre que houver oferta compatível, tanto em qualidade quanto em preços.

O ENGPBS ficará responsável pelas transações comerciais e por todas as ações de logística referentes à produção do gás e petróleo extraído da bacia santista (que se estende do Rio de Janeiro até Santa Catarina), enquanto a unidade de tratamento ficará localizada em Caraguatatuba, litoral norte paulista, pela proximidade das tubulações que vão abastecer o mercado consumidor potencial.

O escritório santista deverá estar ocupando, até o final deste ano, um total de cinco andares no prédio na Fundação Getúlio Vargas, na Avenida Conselheiro Nébias, 159, Vila Nova, onde já funcionam as primeiras gerências do escritório, responsáveis pela fase inicial de implantação. Cerca de 250 funcionários, a grande maioria dos quadros de carreira da Petrobras, atuarão nessas repartições, quando de seu funcionamento pleno.

Como explicou o gerente de Comunicação do ENGPBS, Mariano Stamato, o potencial de geração de postos de trabalho pela exploração de gás e petróleo na Bacia de Santos não deve ser analisado pelo prisma dos empregos que podem ser criados “na Petrobras, mas sim das atividades que serão necessárias para a Petrobras”, devido à diversidade de demandas do setor. Conforme os gerentes, não há, no momento, condições de se prever exatamente quantos empregos serão gerados, mas a perspectiva é de que o número seja grande, já que as atividades previstas envolvem desde hotelaria a fornecimento de alimentação e serviços diversificados. Há informações, inclusive, de que empresários de outros estados e regiões de São Paulo estão avaliando o potencial de Santos em relação à exploração do gás na bacia santista, pois estudam a possibilidade de investirem aqui.

“O próprio ENGPBS, quando estiver funcionando com sua capacidade plena, já vai provocar uma mudança significativa na região de seu entorno (o bairro da Vila Nova)”, afirmou Stamato, deixando implícito que, mesmo com as ampliações que estão sendo realizadas, as atuais instalações só devem ser suficientes até 2008, exigindo-se um local maior para o futuro. “A filosofia da empresa é se utilizar de tudo o que puder suprir suas necessidades em nível local, fomentando o desenvolvimento das regiões onde atua”, destacou o gerente de Comunicação do ENGPBS, informando que, além do fórum previsto para o meio do ano, também está planejado um seminário sobre o tema em conjunto com a Universidade Católica de Santos (Unisantos). “Nosso objetivo é estreitar cada vez mais os laços com comunidade local, já que estamos vindo fazer parte dela”, concluiu Stamato.

GNL – Durante a reunião dos parlamentares com os gerentes do ENGPBS, o gerente geral José Luís Marcusso considerou prematuras quaisquer especulações sobre a localização de futuras plantas de regaseificação para processamento de gás natural líquido (GNL), uma das alternativas estudadas pela Petrobras, caso haja problemas no abastecimento do combustível que hoje é importado da Bolívia. Há alguns dias, surgiram notícias na imprensa de que três ou quatro dessas plantas poderiam ser implantadas em São Paulo ou nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco e Ceará, acrescentando-se que o Porto de Sepetiba apresentava-se como o candidato mais forte para receber um dos equipamentos.

“A única coisa concreta que se pode dizer a esse respeito é que essas plantas, para serem instaladas, necessitam de portos, já que os navios com o gás precisam ter onde atracar; áreas para a implantação da planta, onde o combustível líquido deverá ser revertido para o estado gasoso, e um mercado consumidor capaz de absorver a oferta. Mas tudo isso está no estágio inicial de análise”, esclareceu Marcusso, salientando que as maiores atenções, no momento, estão voltadas para a exploração e produção na Bacia de Santos.

Ao final do encontro, Telma de Souza, que desde 2000 já alertava para o potencial energético da Bacia de Santos, considerou as informações fornecidas pelo ENGPBS “animadoras”, no sentido de esclarecer os progressos no funcionamento da unidade. “Em pouco tempo, houve um avanço muito grande e as perspectivas de geração de emprego e renda são altamente positivas. A partir da realização do fórum, os empresários da região, em diversos níveis, vão ter uma noção mais precisa de como se preparar para o desenvolvimento econômico que se avizinha”, disse a deputada, acrescentando que também continuará acompanhando a evolução dos acontecimentos no que se refere à construção das plantas de regaseificação: “Se tivermos condições necessárias para abrigar tal empreendimento, vamos envidar todos os esforços para também trazer um dos equipamentos para Santos”.

Tanto a deputada estadual Maria Lúcia Prandi, presidente de comissão especial que trata dos assuntos referentes ao gás e petróleo da Bacia de Santos na Assembléia Legislativa de São Paulo, quanto o vereador Ademir Pestana, que preside órgão com o mesmo objetivo na Câmara de Santos, também se comprometeram a lutar por esse objetivo. “A população da nossa região tem que aproveitar as oportunidades geradas a partir da implantação da unidade de negócios. As perspectivas são muito positivas”, afirmou Prandi. Para Ademir, a economia santista deverá receber um grande impulso a partir da exploração do gás na Bacia de Santos. “Para aqueles que duvidaram a resposta está aqui mesmo nesse prédio”.

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