Governo Alckmin omite crise na Fundação Casa

12/08/2014

Manipulação

Governo Alckmin omite crise na Fundação Casa

Levantamento realizado pela reportagem do Site IG, em 2013 as unidades da Fundação Casa tiveram 29 rebeliões, 20 tumultos e 29 fugas em 2013.
Já na contabilidade do governo do Estado, foram 8 rebeliões e 11 tumultos, segundo o diretor adjunto da Conectas Direitos Humanos, Marcos Fuchs este fato se dá por conta da polêmica divisão entre rebelião e tumulto, instituído recentemente pelo governo Alckmin.

A reportagem utilizou como base de dados notícias divulgadas pela grande imprensa entre 1º de janeiro e 31 de dezembro do ano passado sob o título de tumultos ou rebeliões. Mesmo que as 21 rebeliões acima das estatísticas oficiais fossem convertidas em tumultos, estes chegariam a 41 ocorrências, número bem acima das 11 contabilizados pelo Estado.

De acordo com a Fundação, o governo só considera rebelião quando a ocorrência envolve “todos ou quase todos os adolescentes de um Centro de Atendimento”. “Consideramos uma ocorrência como rebelião quando há reféns, fogo no Centro, agressão a funcionários ou entre adolescentes e grandes danos patrimoniais (Centro severamente danificado)”.

“O governo mudou a nomenclatura de rebelião para tumulto porque aí os números são facilmente manipulados”, acredita o agente sócio educativo Adriano Neiva, de 31 anos. “Temos casos de funcionários internados depois de tomar paulada, cadeirada, ferrada, mas o governo não registrou como rebelião só porque não pegou fogo na unidade. Isso acontece diariamente.”

Presença do crime organizado

O autor do livro “Cadeias dominadas” o antropólogo Fábio Mallar conta a história da instituição, aponta a forte presença do PCC dentro das unidades e reconhece a tortura como parte da “história institucional” do sistema socioeducativo.

O antropólogo também aponta, baseado em sua experiência, a violência física aplicada contra os internos. “Que as torturas e os espancamentos fazem parte da história institucional, me parece que não resta nenhuma dúvida. As unidades de internação, de fato, podem ser consideradas como verdadeiros campos de batalha, nos quais se processam disputas violentas – por vezes sangrentas – lutas silenciosas e tensões cotidianas.” (rm)

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