Governo mais uma vez culpa a chuva pela tragédia no Estado

12/01/2011 16:11:00

Tragédia

 

 

Mais uma vez o governo do Estado culpou a intensidade da chuva pela tragédia que ocorreu em São Paulo na madrugada do dia 11, que ocasionou a morte de 14 pessoas e 127 pontos de alagamento – recorde desde 2005.

O governador Geraldo Alckmin ainda afirmou que “não é possível fazer obra em 24 horas”, esquecendo-se de que seu partido está no comando do Estado há nada menos que 16 anos.

A obra bilionária de rebaixamento da calha do rio Tietê na gestão anterior de Alckmin visava eliminar alagamentos pelo transbordo do rio – previa só um em cem anos, mas houve ao menos cinco desde 2006.

Alckmin alegou ser necessário um “eterno” desassoreamento e disse que há hoje 2,1 milhões de m3 que precisam ser retirados do Tietê. Isso por conta da descontinuidade de investimentos.

Segundo levantamento realizado pela assessoria da Bancada do PT na Assembleia, de 2007 a 2010, deixaram de ser aplicados R$ 47 milhões no programa de combate a enchentes do Estado. Só na calha do Tietê foram R$ 35,8 milhões a menos que o previsto.

A construção de piscinões também deixou de receber investimentos. Foram R$ 21,7 milhões a menos do que o orçado no governo Serra/Goldman, o que representa uma diferença de 14%. Há 11 anos a previsão era a construção de 134 reservatórios (piscinões), mas apenas 43 saíram do papel.

Para a preservação e conservação de várzeas, o governo deixou de aplicar R$ 1 milhão (-7%) e para a limpeza de córregos, especialmente na cidade de São Paulo, houve uma redução de R$ 2,4 milhões (-16%). Além disso, dos R$ 44 milhões destinados para constituir um Plano de Macrodrenagem, que evitaria inundações, não teve um centavo gasto.

Sinal de alerta de chuvas não chega às ruas

Apesar de os órgão públicos terem a informação sobre a chuva com horas de antecedência, os sinais de alerta não chegaram à população.

O Sistema de Previsão e Alerta de Enchentes, que o governo do Estado apresentou em 13 de outubro de 2010 e que custou R$ 2 milhões, não tem mostrado nenhuma eficácia. Passados apenas três meses, o governador Alckmin já anunciou que está licitando um novo sistema, ou seja, um novo investimento de cerca de R$ 7 milhões. Resta saber se dessa vez vai funcionar.

 

 

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