Governo Serra só vai entregar metade dos corredores de ônibus previstos

15/10/2009 18:00:00

Promessa não cumprida

 

Reportagem do jornal O Estado de São Paulo, em 13/10, mostra que a gestão Serra, apesar de liberar R$ 20 bilhões para o plano de expansão na área de transportes, não vai cumprir a entrega dos três corredores de ônibus previstos para a Região Metropolitana de São Paulo – Guarulhos-Tucuruvi, Diadema-Brooklin e Itapevi-São Paulo. O governo vai priorizar a inauguração de 33,5 km de corredores metropolitanos, pouco mais da metade dos 65,5 km previstos nos três projetos.

Leia a seguir a matéria do jornal O Estado de São Paulo

Estado entrega corredores pela metade

Apesar de liberar R$ 20 bilhões para o plano de expansão na área de transportes, a gestão José Serra (PSDB) deve chegar ao fim sem entregar por completo nenhum dos três corredores de ônibus previstos para a Região Metropolitana de São Paulo. Dificuldades nas desapropriações e licitações barradas na Justiça são as principais causas dos atrasos nos projetos dos corredores Guarulhos-Tucuruvi, Diadema-Brooklin e Itapevi-São Paulo. Para amenizar o impacto, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos decidiu dividir os projetos e por isso os corredores vão mesclar trechos inaugurados com outros de trânsito compartilhado.

O governo vai priorizar a inauguração de 33,5 km de corredores metropolitanos, pouco mais da metade dos 65,5 km previstos nos três projetos. Mas mesmo a meta atualizada pode não ser alcançada, pois o único projeto que ainda tinha chances de ser completamente entregue até o fim do próximo ano, o Diadema-Brooklin, teve a licitação interrompida na Justiça em julho. Dois consórcios de empresas desclassificados do processo entraram com ações e obtiveram liminares bloqueando o edital (veja ao lado).

“Nós vamos entregar a maior parte do Guarulhos-Tucuruvi e o principal trecho do Itapevi-São Paulo. Isso já vai proporcionar um grande ganho de tempo para os usuários”, prevê o diretor-presidente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), Julio Antonio de Freitas. “Em relação aos trechos restantes, vamos deixar até o fim do ano que vem todos os projetos executivos prontos e conseguir as licenças ambientais para que a próxima gestão dê continuidade.”

Projeto mais caro e considerado o mais importante, o Guarulhos-Tucuruvi foi atrapalhado principalmente pelas dificuldades para negociar a desapropriação de áreas na parte paulistana da futura via. Os planos iniciais da atual gestão eram inaugurar até o fim de 2010 o principal tronco do projeto, um trajeto de 20,5 km entre o futuro terminal metropolitano de ônibus do Taboão, em Guarulhos, e a Estação Tucuruvi do Metrô, na capital. O custo desse trecho será de R$ 219 milhões.

Por causa das dificuldades, a inauguração dos 4 km do trecho paulistano foi descartada neste primeiro momento. Os cerca de 150 ônibus previstos para circular no corredor vão seguir no município de Guarulhos em faixas exclusivas, mas vão precisar voltar a dividir espaço com automóveis e caminhões na parte final.

“Os ganhos reais de uma obra só são conhecidos quando ela é entregue por completo”, diz o professor do Departamento de Transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Jaime Waisman. “O ponto positivo é que os passageiros já vão usufruir um bom ganho de tempo.” Waisman considera esse o principal projeto, pois vai ligar as duas maiores cidades do Estado – 100 mil pessoas por dia devem usar o futuro corredor. “Hoje esses ônibus utilizam a Dutra, que está saturada, e o viário de Guarulhos, que é ruim para o transporte coletivo.”

A EMTU estima que o tempo de viagem entre Taboão e a Vila Galvão deve cair de 65 para 15 minutos após a inauguração do trecho. As obras nas vias estão previstas para começar em março do próximo ano e terminar em dezembro. Haverá 33 paradas com áreas de ultrapassagem ao longo dos 16,5 km de vias. O projeto também prevê a construção de três terminais de ônibus: Taboão, Parque Cecap e Vila Galvão. Os dois primeiros devem ser entregues em julho de 2010. Ainda não há previsão para o terminal Vila Galvão, que deve ser incluído na segunda etapa de obras. A empresa também pretende construir uma ciclovia, que vai seguir ao lado do corredor, entre os dois primeiros terminais.

Além de concluir o trecho paulistano, o corredor ainda tem previstos dois outros “apêndices”, de 11,8 km: um deles será uma extensão a partir do futuro Terminal Taboão para o bairro São João, em Guarulhos. O outro é uma saída na altura da Vila Endres para a Penha.

Diadema-Brooklin teve início há 20 anos

Projeto mais antigo e teoricamente o mais fácil de ser concluído, o corredor Diadema-Brooklin deve encerrar mais uma gestão no papel. As primeiras obras dos quase 12 km de extensão começaram em março de 1986. Grande parte do viário está pronta, não há desapropriação a ser feita e o Estado destinou os recursos necessários. Mas desde julho a licitação está parada na Justiça.

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) abriu licitação em junho para as obras que ainda faltam. Em praticamente toda a extensão do projeto as faixas exclusivas para os ônibus já estão concretadas – enquanto o restante da via é de asfalto, os corredores têm o piso de concreto para diminuir o impacto nos passageiros. Por isso, serão necessários R$ 27 milhões – 10% do Guarulhos-Tucuruvi.

A licitação foi aberta em junho e 13 consórcios participaram da disputa. Após a primeira análise, nove foram habilitados para continuar no processo, mas dois que ficaram de fora entraram com ações judiciais questionando os critérios técnicos. A Justiça acolheu os pedidos e concedeu liminares em julho barrando o processo.

O plano inicial da EMTU era começar os trabalhos em agosto do ano passado. Há chances de esse corredor ser entregue até o fim do próximo ano, mas para isso a liminar teria de ser derrubada ainda neste ano. No entanto, ainda não há previsão para que o recurso seja julgado – a Justiça solicitou à EMTU todos os relatórios técnicos, que serão analisados antes de uma nova decisão.

O projeto do Diadema-Brooklin prevê cinco estações de transferência – com Metrô e com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) – e 18 pontos. As obras devem durar entre oito e dez meses.

ITAPEVI

O projeto do corredor Itapevi-São Paulo é mais recente e também considerado de fácil conclusão. Estão previstos 33 km de vias – e um primeiro trecho de 5 km deve ser entregue até o fim do ano. “Vamos inaugurar o trecho entre Itapevi e Jandira, que é o mais complicado, porque ainda não há estrutura. Os próximos passos serão mais fáceis, porque já existe um viário até a capital”, diz o diretor-presidente da EMTU, Julio Antonio de Freitas.

fonte: O Estado de São Paulo – 13/10/2009

 

 

 

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