Governo tucano: interesses privados no setor público

11/04/2012

Indicações de Alckmin

O deputado João Antonio manifestou, em 10/4, no Plenário contra a decisão do governador Geraldo Alckmin de reconduzir ao Conselho Estadual de Política Energética (CEPE) duas pessoas com ligações diretas com empresas do setor.

Instituído em novembro de 2002, o Conselho é composto por cinco integrantes e tem atualmente como presidente o secretário estadual de energia José Aníbal e tem por objetivo contribuir para a formulação de diretrizes e políticas públicas no setor energético para o governo de São Paulo. Ocorre que entre os indicados pelo governador, estão David Zylbersztajn e José Sidnei Colombo Martini. O primeiro é ex-dirigente da Agência Nacional do Petróleo no governo FHC e atualmente é executivo da DZ Negócios em Energia, empresa de desenvolvimento de oportunidades, focada na indústria brasileira de eletricidade, petróleo e gás natural, foi fundada em 2002 e desde então, vem assessorando empresas do setor e investidores interessados no mercado brasileiro.

Consta da Página da empresa que ela “assessora investidores e empresas interessados no setor energético brasileiro nas seguintes áreas: Fusões e aquisições; Desenvolvimento de projetos e novos negócios; Desenvolvimento de estratégias comerciais no setor e estratégias de entrada ou saída do mercado. Nossa atuação é focada nas iniciativas que promovam o crescimento e o aumento da eficiência de players no setor energético brasileiro.” Nesta mesma Página pode ser constatado que figura a AES Eletropaulo, concessionária de energia elétrica no Estado de São Paulo, está ntre os clientes da DZ negócios em energia. A Companhia Vale do Rio Doce, a Promon, e a WestLB são os demais clientes apresentados.

Também José Sidnei Colombo Martini possui um vasto currículo no setor energético e protagonizou o escândalo da Alstom.

Martini Colombo foi citado em reportagem de 13 de junho de 2008 do jornal Folha de S. Paulo, que denunciou manobra feita por ele à época para beneficiar a empresa francesa Alstom com dispensa de licitação em contrato de R$ 110 milhões com o Metrô.

Segundo a matéria veiculada pelo jornal, após ser nomeado pelo governador Geraldo Alckmin para ocupar cargo no governo, o ex-diretor da multinacional, autorizou a Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE) a pagar um adicional de R$ 4,82 milhões à Alstom.

De acordo com a matéria, o jornal ouviu especialistas em licitações que “estranharam os termos do contrato negociado” pelo ex-diretor da empresa Alstom. A estranheza tornou-se ainda maior pelo fato de ter ocorrido pouco tempo depois de Martini deixar a empresa e ser nomeado para o cargo no governo estadual.

A multinacional francesa Alstom é velha conhecida das investigações do Ministério Público e de autoridades europeias, que apuram denúncias de gordas propinas pagas a executivos e membros dos governos do PSDB para garantir contratos com o Metrô e outras empresas do governo paulista.

Análise de dados dos contratos da Alstom com o governo do Estado realizado pela Bancada do PT, com base nos dados do Tribunal de Contas do Estado, revelam que a empresa firmou 139 contratos com o governo de São Paulo, no período de 1989 a 2007, que totalizam R$ 7,6 bilhões.

Enquanto relator do pedido de aprovação pelo Poder Legislativo, o deputado petista João Antonio, avalia que ambos David Zylbersztajn e José Sidnei Colombo Martini representam interesses privados e suas permanências naquele órgão estatal favorecem o setor.

“Nós questionamos a intenção do governo por trás dessas nomeações, pois envolvem empresas concessionárias de serviços públicos ou com contratos com estatais paulistas”, indagou João Antonio.

O parlamentar informou ainda que estuda mediadas para sustar o ano de recondução dos indicados pelo governador Geraldo Alckmin.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.