Governo tucano vai fechar a Casa da Aids

16/05/2012

Fechando as portas

Depois de quase 18 anos de funcionamento, a Casa da Aids vai fechar as portas. Reconhecida como uma das principais referências ao tratamento gratuito de soropositivos da capital, a entidade, que funciona em um prédio na Rua Frei Caneca, região central na capital, deixará de existir em 18 de junho.

O atendimento a seus 3,2 mil pacientes serão transferidos para o Instituto Emílio Ribas, na zona oeste. A Secretaria Estadual da Saúde, responsável pelos dois, alega que a mudança tem o objetivo de integrar e dinamizar o atendimento. Mas quem utiliza o serviço não aprova a iniciativa.

A maior preocupação é com relação à qualidade do serviço. Na Casa da Aids, dizem os pacientes, quase não há filas ou espera para consultas, exames e retirada de medicamentos. Além disso, o ambiente é acolhedor para quem se trata de uma doença que, apesar de avanços significativos, ainda suscita preconceitos.

Ali, os funcionários mais antigos conhecem os pacientes há vários anos e as consultas – em especialidades como ginecologia, odontologia e psiquiatria – não duram só uns poucos minutos, como costuma acontecer nos hospitais públicos.

Frequentadora do local desde 2001, a auxiliar administrativa Elaine Cristina da Silva, de 46 anos, teme aglomerações no novo ponto de atendimento. “Aqui é mais familiar, você não se sente constrangido, porque todas as pessoas que vêm se tratar têm o mesmo problema. E os médicos têm mais tempo para ouvir.”

Ela diz ainda que pessoas soropositivas, devido à baixa imunidade do organismo, ficariam mais expostas em um ambiente como o Emílio Ribas, onde são tratadas outras doenças, como hepatites e gripes.

Essa desconfiança é partilhada pelo aposentado Sergio Augusto Carvalho, de 54 anos, um dos primeiros pacientes da Casa da Aids, onde se trata desde 1995. “Convivendo com pessoas que têm todo tipo de infecção, a chance de quem tem aids piorar aumenta.”

fonte: Jornal da Tarde

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