Greve chega ao interior e USP e Unesp param

09/06/2014

Má gestão

Greve chega ao interior e USP e Unesp param

A paralisação de professores, funcionários e alunos das unidades do interior das universidades públicas estaduais tem aumentado.
A greve já atingiu, entre outros, o campi da Universidade de São Paulo (USP) nas cidades de São Carlos e Ribeirão Preto, e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Franca, Rio Claro, Araraquara e Jaboticabal.

A categoria reclama do congelamento de salários nas universidades a partir deste mês e reivindica reajuste de 9,78%. A paralisação afetou serviços de alimentação, houve o fechando refeitórios e restaurantes, como o da USP de São Carlos. Notícias da imprensa no interior dão conta que não está funcionando a consulta e retirada de livros nas bibliotecas.

Em Ribeirão Preto e São Carlos foram mantidas apenas as atividades essenciais na USP e até o setor de limpeza parou. Em Ribeirão os alunos também estão inclinados a aderir à paralisação. Em São Carlos não houve aulas nos dois últimos dias porque os estudantes já decidiram parar também as atividades.

Na Unesp de Franca os professores cruzaram os braços, assim como mais de 100 dos 150 funcionários, segundo o sindicato da categoria. Em Jaboticabal o movimento grevista estaria atingindo perto de 30% dos trabalhadores. Nos campi de Araraquara e Rio Claro também é crescente.

Carta Aberta

Na semana passada, no dia 04/6, a Assembleia da Adusp aprovou carta ao reitor, onde os trabalhadores manifestam preocupação e indignação quanto suas manifestações que consideram comprometedoras a defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade.

Vejam a seguir a íntegra do documento

Carta ao Reitor aprovada pela assembleia da Adusp de 4 de junho de 2014
Ilmo. Sr.
Professor Doutor Marco Antonio Zago
Reitor da Universidade de São Paulo
Prezado Professor
Nós, docentes da USP, reunidos em assembleia, vimos manifestar nossa preocupação e indignação diante de alguns de seus artigos e entrevistas veiculados na grande imprensa, por comprometerem a defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade e daqueles que nela estudam e trabalham. Mais, especificamente, quando o senhor:

1. Refirma constantemente a impossibilidade de concessão de reajuste e se recusa a abrir negociações com docentes e funcionários, categorias que, juntamente com os estudantes, constroem e disseminam o conhecimento nas universidades estaduais paulistas.

2. Recusa-se a reconhecer a comprovada gravidade da questão ambiental no campus da USP-Leste e, mais uma vez, esquiva-se da necessária interlocução com a comunidade, mesmo tendo se comprometido com o diálogo em seu programa de gestão.

3. Veicula posição de redução do quadro em Regime de Dedicação Exclusiva à Docência e à Pesquisa (RDIDP) sem que qualquer discussão tenha sido feita com a comunidade acadêmica, repetindo a prática, comum à gestão anterior, de propagandear propostas que sequer foram tema de discussão nas várias instâncias da Universidade. Por comprometer a qualidade e a independência das atividades de Ensino, de Pesquisa e de Extensão, a diminuição de docentes em RDIDP deveria ter sido tema de debate no processo eleitoral e não nos parece que propostas desse gênero tenham integrado a plataforma de sua campanha quando candidato ao cargo que agora ocupa.

4. Afirma repetidamente que nada sabia sobre as contas e os gastos da gestão anterior. Lembre-se de que, como pró-reitor de pesquisa, o senhor era membro do Conselho Universitário e poderia ter reivindicado a qualquer tempo esclarecimentos sobre o orçamento da USP. E se não o fez naquela altura, poderia agora realizar amplo levantamento dos gastos da gestão anterior e negociar com docentes, estudantes e funcionários as prioridades no emprego dos recursos disponíveis.

Não, Sr. Reitor! Reafirmamos o entendimento já estabelecido de que o RDIDP é o regime de trabalho preferencial na Universidade, que o Ensino nas instituições públicas, conforme o estabelecido pela Constituição Federal, deve ser gratuito e que 0% é inaceitável, a menos que isso se refira ao índice de contaminação ambiental da EACH!
ASSEMBLEIA GERAL DA ADUSP-S.SIND.

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