Justiças alemã e americana ligam offshores a propinoduto

27/08/2013

Cartel da corrupção

Processos que acabaram com o pagamento de multas milionárias pela Siemens detalham uso de rede de contas secretas

A Siemens manteve uma rede de contas secretas administradas por offshores espalhadas pelo mundo a fim de pagar propina a funcionários públicos e garantir contratos. Só na América do Sul, entre 2001 e 2004, destinou US$ 192 milhões a servidores de vários países, segundo processos das Justiças alemã e americana. Tais processos levaram a empresa e outras, como a francesa Alstom – a pagar multas milionárias.

A “cultura da propina” em contratos de países estrangeiros vigorou por muito tempo entre algumas multinacionais. Nos anos 2000, com a imposição de regras rígidas proibindo pagamento de “comissões” no exterior em troca de contratos, as empresas, incluindo a Siemens, começaram um processo de depuração, admitindo erros e pagando multas. Foi nesse contexto que a multinacional alemã fechou um acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Uma das primeiras revelações sobre o sistema foi feita há mais de dez anos. Em audiência do Parlamento alemão em 2011 que apurava o financiamento de partidos pela Siemens, um dos funcionários questionados confirmou a existência de contas na Suíça em nome da companhia. Ele disse que os fundos eram usados só para pagar “comissões”.

Na América do Sul, os documentos afirmam que gerentes da Siemens mantinham contas em bancos offshore, sem citar especificamente o Brasil. “A empresa regional da Siemens na América do Sul usava fundos para gerar caixa para pagamentos de corrupção”, indicou um documento de 2008 da Justiça americana.”Entre 12 de março de 2001 e setembro de 2004, a empresa pagou cerca de US$ 192 milhões a terceiras partes a partir dessas contas.” Depois dessa data, foram mais US$ 1,9 milhão em propinas, apontam os documentos da investigação.

“O objetivo desses pagamentos era de dar propina a funcionários do governo”, indicou a investigação. No total, as Justiças alemã e americana indicam que, de 2001 a 2007, a Siemens pagou US$1,3 bilhão em propinas pelo mundo: US$ 805 milhões foram para políticos e funcionários públicos de diversos governos. fonte: jornal O Estado de S. Paulo

DELATOR DE PROPINODUTO OMITIU CONTA SECRETA AO CADE

Newton Duarte, que comandou a diretoria de energia da Siemens do Brasil, assinou movimentação financeira em banco de Luxemburgo via offshore. Conta descoberta em 2011 resultou na demissão do então presidente da empresa, Adilson Primo. Omissão reforça suspeitas de que delatores não contaram toda a história que envolve suspeitas de pagamento de propina pela multinacional alemã a políticos do PSDB, no comando do Estado de SP desde a gestão de Mario Covas

Um dos ex-diretores da Siemens que denunciaram a formação de cartel no sistema metroferroviário de São Paulo e Brasília omitiu do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a existência de uma conta secreta em um paraíso fiscal operada por integrantes da empresa no Brasil.

A multinacional alemã usava contas de paraísos fiscais para pagar propina a agentes públicos em diversos países do mundo. A omissão reforça suspeitas de que delatores ainda não contaram toda a história.

Segundo reportagem do Estadão, Newton Duarte, que comandou a diretoria de energia da Siemens do Brasil, assinou um documento de movimentação financeira da conta secreta aberta em 2003. Descoberta em 2011, ela resultou na demissão do então presidente da empresa no Brasil, Adilson Primo.

Sediada no Banco Itaú Europa Luxemburgo, a titular da conta, que movimentou cerca de 6 milhões de euros, era a empresa offshore Singel Canal Services CV, que tinha 99,99% das suas cotas em mãos da fundação privada Suparolo Private Foundation, formada por Adilson Primo e três sócios.

No Brasil, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual abriram um inquérito para apurar o envolvimento de políticos do PSDB, no comando do Estado desde a gestão de Mario Covas, no cartel. Ex-presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) Sérgio Avelleda, que ocupou o cargo no governo de José Serra (PSDB) e depois dirigiu o Metrô no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), já é réu em ação de improbidade administrativa. (fonte: site Brasil 247, com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

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