Kassab distribui cartilha em que criminaliza os moradores da várzea do Rio Tietê

25/09/2009 14:03:00

Habitação

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O deputado estadual Adriano Diogo vai entrar com uma representação no Ministério Público questionando seu conteúdo. “A cartilha cria o terror e não tem a intenção de informar.”

A subprefeitura de São Miguel distribuiu um informativo assinado pelo prefeito Gilberto Kassab e seu assessor de imprensa, o jornalista Sérgio Rondino, onde criminaliza os moradores da região da Várzea do Rio Tietê. Eles informam que a Operação Defesa das Águas, conjunto de medidas da Prefeitura e do Governo do Estado para controlar e recuperar áreas de mananciais, faz um “combate severo às construções ilegais (…) para controlar as invasões”, exaltando a ação policial.

O material foi distribuído no último sábado, 12/09, na Paróquia Santa Rosa de Lima, durante uma reunião com os moradores sobre as desapropriações que ocorrerão em função da implantação do Parque Linear Várzeas do Tietê, que abrange vários municípios do estado de São Paulo.

Em razão da gravidade da cartilha, o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP), que estava presente na reunião, está elaborando uma representação contra a prefeitura que será encaminhada ao Ministério Público. “Kassab cria uma tensão popular pela desinformação e viola a Constituição Federal quando coloca o interesse público acima do interesse social”, afirma o parlamentar.

“O que eles fizeram foi uma contra-informação. Com fotos de demolição, trator e polícia, associadas a palavras como ‘crime’ e ‘invasão’, a cartilha cria o terror e não tem a intenção de informar”, continua Adriano Diogo.

A cartilha tem oito páginas, na capa a palavra ‘crime’ está em destaque e na contracapa tem imagens de guardas ambientais diante da demolição de casas. Tem ainda um disque denúncia para ‘denunciar despejo de entulho, invasões e loteamentos ilegais’. Para Adriano Diogo, isso coloca o povo contra o povo, criando uma guerra.

“É função do poder público fiscalizar. Estamos falando de casas que estão lá há mais de 10 anos, em bairros consolidados com ligações de água, luz e esgoto, além de escolas estaduais. Serra e Kassab não podem tratar essas famílias como criminosas, porque o poder público consentiu que elas se instalassem nesses locais”, afirma o parlamentar.

Adriano Diogo afirma ainda que a habitação é um direito garantido pela constituição e que esses moradores estão no exercício do seu direito. “Crime é demolir casas. Crime é estrangular as condições de sobrevivência desses moradores cortando sua água potável durante o dia. Crime é tratar trabalhadores e famílias inteirinhas, constituídas na maioria de negros, de pobres originárias do nosso processo de escravidão, como criminosos.”

 

 

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