Líder da Bancada defende auditoria geral nos contratos da Linha 4 amarela

17/11/2016

Desvios e Descasos no Metrô

Crédito: RBA

Propinas, mortes, irresponsabilidades. A população é sempre maior vítima dos descasos com metrô.

Justiça manteve hoje absolvição de envolvidos com catástrofe na linha 4 amarela do metrô. Folha de S. Paulo denuncia esquema de propinas nas obras. Bancada do PT já alertava para desastres.

Em janeiro de 2007, durante gestão José Serra, São Paulo teve a desonra de sediar aquele que ficou marcado como pior acidente da história do metrô paulista. O desabamento no canteiro de obras da estação Pinheiros, da linha 4-amarela, matou sete pessoas, três pedestres, um trabalhador da obra e três pessoas que estavam numa van engolida pela cratera de 80 metros, o equivalente a um prédio de 16 andares.

Quando o caso foi julgado em primeira instância, pela juíza Aparecida Angélica Correia, 14 indiciados foram absolvidos sob alegação de falta de provas que incriminassem funcionários do Metrô ou das empreiteiras envolvidas (a obra é de responsabilidade da Odebrecht com participação das gigantes Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez).
Hoje (17) o caso foi para a segunda instância. O Tribunal de Justiça analisou recurso do Ministério Público que pedia reversão da decisão da primeira instância, mas a absolvição dos 12 técnicos e engenheiros foi mantida.

O deputado estadual José Zico Prado, líder da Bancada do PT na Alesp, lembrou-se do esforço da Bancada para instaurar duas CPIs sobre o assunto, uma para investigar o desabamento no canteiro de obras da estação Pinheiros e outra, em seguida, para investigar o caso Alstom. Ambas foram frustradas pela sanha governista de barrar investigações que lhe dizem respeito. Para a Bancada, o desastre na linha 4 amarela era uma tragédia anunciada.

“Nós já vínhamos fazendo denúncia dessa questão desde antes do acidente. Como membro da Comissão de Transportes, percorri todo trecho para ver as casas que estavam trincadas, que estavam tendo problema na época. A Bancada do PT fez um relatório que mostra que estávamos acompanhando as obras, então o acidente era previsível, já alertávamos para isso”, lamenta Zico Prado.

O deputado também relata que esta linha, feita por PPP (Parceria Público-Privada), cujos investimentos foram de 73% do Estado e apenas 27% da iniciativa privada, “sempre foi um problema”; e que a Bancada questionou com veemência assinatura do projeto que teve o governador Geraldo Alckmin como pai.

Por baixo das mortes, propinas
Nesta mesma quinta, a Folha de S. Paulo soltou uma matéria denunciando propinas que foram pagas pelas empreiteiras para abafar o acidente. Segundo apurações do jornal, que falou com pessoas ligadas a três construtoras, representantes das empreiteiras negociaram propina com advogado que se dizia representante de um promotor de justiça.

Os representantes citados pelas fontes foram os advogados Fernando Maximiliano Neto, que já trabalhou no jurídico na Odebrecht, e Ismar Marcílio de Freitas Jr., que se dizia representante de Ruy Pires Galvão Filho, à época promotor responsável pelo caso – Galvão é hoje procurador.

De acordo com documentos da Operação Castelo de Areia, as propinas do caso somam R$3 milhões.

Sobre o envolvimento do Ministério Público com propinas provenientes da falcatrua que envolveu compra de materiais baratos para as obras do metrô, desserviço à população carente de transporte eficiente e, por fim, mortes, o líder da Bancada petista, deputado José Zico Prado, acredita que processos estavam “contaminados” e defende realização de auditoria em todos contratos da obra.

“O correto seria que uma empresa que realizasse uma grande auditoria em todos os contratos. A população tem que saber disso, qual é o comprometimento do Ministério Público e do Governo do Estado com os desvios. Não digo Ministério Público como todo, não condeno a instituição. Mas defendo uma auditoria independente, não pode ser auditoria comprometida com tudo isso que está aí”, posicionou-se o deputado.

Marina Moura

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