Máfia da merenda agiu em 152 cidades no Estado

01/02/2016

Propinoduto

Máfia da merenda pode ter agido em 152 cidades

Os relatos do ex-presidente da Coaf, Cássio Izique Chebabi, em delação premiada e planilhas aprendidas dão conta que cooperativas firmaram contratos de R$ 209,8 milhões com as 152 cidades, 48% do total gasto com merendas em todo o Estado, que reúne 645 municípios, o que indica que a diferença de valores pode ser fruto de propina e superfaturamento.
A suspeita inicial de que a máfia da merenda nas escolas estaduais de São Paulo chegava a 22 cidades estava subestimada. Uma planilha encontrada no computador da Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), a principal suspeita, revela que a quadrilha atua em 152 municípios, no esquema revelado pela Operação Alba Branca, da Polícia Civil, na semana passada.

Além da Coaf, outras duas cooperativas participariam da corrupção: Cocer (Cooperativa de Citricultores de Engenheiro Coelho) e Coagrosol (Cooperativa dos Agropecuaristas Solidários de Itápolis), diz a planilha.

O propinoduto envolve tucanos do primeiro escalão do governo Geraldo Alckmin, como o deputado estadual e atual presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) Fernando Capez, e o ex-secretário da Educação, Herman Voorwald, autor do projeto de reorganização das escolas estaduais.

Em depoimento à Polícia Civil, três testemunhas ligadas à cooperativa confirmaram o pagamento de propina a agentes públicos, que chegava a 25% do valor dos contratos. Ao todo, sete pessoas da empresa tiveram a prisão decretada.

Uma das testemunhas presas na operação, o funcionário da Coaf Adriano Gilbertoni Mauro, teria intermediado o contrato da cooperativa com a secretaria do governo paulista.

Outra testemunha, o vice-presidente da Coaf, Carlos Alberto Santana da Silva, confirmou em depoimento o pagamento de propina de R$ 1,94 milhão para o contrato com o governo tucano em 2015.

Também foram citados nas delações o ex-chefe de gabinete da Casa Civil de Alckmin, Luiz Roberto dos Santos, o secretário tucano Duarte Nogueira (Logística e Transportes), os deputados federais Baleia Rossi (PMDB) e Nelson Marquezelli (PTB), além do deputado estadual Luiz Carlos Gondim (SD). Todos negam as acusações. (RM)

Fonte: Revista Brasileiros

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