Marcha das Mulheres e ativista Sônia Coelho recebem Prêmio de Direitos Humanos das Mulheres

30/03/2017

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Indicação foi feita pela deputada Márcia Lia; Prêmio Beth Lobo será entregue nesta sexta-feira

A ativista Sônia Coelho e a Marcha Mundial das Mulheres recebem o Prêmio Beth Lobo de Direitos Humanos das Mulheres 2017, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, na noite desta sexta-feira (31). A indicação foi feita pela deputada Márcia Lia à Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais da Alesp.

“O Prêmio, que está em sua terceira edição, é uma forma de reconhecimento da importância dos movimentos sociais e dos ativistas que trabalham pela garantia dos direitos das mulheres no Estado de São Paulo. Para mim, é uma alegria imensa fazer esse reconhecimento público da Marcha Mundial das Mulheres em nome da Soninha Coelho, que coordena o movimento e é essencial para o empoderamento feminino e no enfrentamento à violência doméstica contra mulheres”, diz a deputada Márcia Lia.
Além da ativista Sônia Coelho, que também integra a SOF – Sempre Viva Organização Feminista, a lista de premiações deste ano ainda inclui Laura Capriglione, indicada pelo deputado João Paulo Rillo; a Coronel PM Helena dos Santos Reis, indicada pelo deputado Coronel Telhada; a professora Roseli de Oliveira e a doutora Albertina Duarte, indicadas pela deputada Clélia Gomes. Cada pessoa premiada deve receber um valor em dinheiro em torno de R$ 5 mil.

A MARCHA

A história da Marcha Mundial das Mulheres começou como movimento internacional em 1995, na cidade de Quebec, no Canadá, quando 850 mulheres marcharam 200 quilômetros pedindo simbolicamente “Pão e Rosas”. O protesto conseguiu o aumento do salário mínimo, mais direitos para as mulheres imigrantes e apoio à economia solidária praticada por mulheres.

Três anos depois, o grupo realizou o primeiro encontro internacional, no Canadá, com 145 mulheres de 65 países e territórios. No Brasil, a Marcha Mundial chegou por meio da Central Única das Trabalhadoras e Trabalhadores (CUT).
Atualmente, o movimento está presente em diferentes estados brasileiros, fazendo o enfrentamento pela garantia dos direitos humanos das mulheres e contra a violência às mulheres, contra a opressão racial e contra a discriminação da sexualidade.

O PRÊMIO

O Prêmio Beth Lobo foi criado pela resolução 881/2012, do então deputado Adriano Diogo, para premiar pessoas e entidades que se destacavam na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento da violência de gênero.

No primeiro ano de premiação, foram feitas homenagens póstumas à socióloga Elisabeth Lobo – que se dedicou ao estudo das diferenças do trabalho para homens e mulheres, ajudou na organização das mulheres sindicalizadas da CUT e faleceu em 1991, aos 47 anos – e à militante do PCdoB Maria Lúcia Petit – morta por fuzilamento do Exército de Antonio Bandeira, na Guerrilha do Araguaia, em 1972. Ela foi considerada desaparecida até 1996, quando sua ossada foi encontrada e identificada.

Dentre mulheres ainda em atividade, o Prêmio Beth Lobo premiou as jornalistas Laura Capriglione e Marlene Bergamo da Folha de São Paulo, Lúcia Rodrigues, da rádio Brasil Atual, Fernanda Soares, do Sindicato dos Jornalistas do Vale do Paraíba, e Conceição Lemes do site Via Mundo pelas reportagens sobre a violenta desocupação do bairro Pinheirinho, realizada pela Policia Militar de São Paulo e a Guarda Civil Metropolitana de São José dos Campos.

Em 2013, o prêmio homenageou militantes de esquerda com atuação na Ditadura Militar e viúvas de militantes desaparecidos, como a então ministra das políticas para as mulheres, Eleonora Menicucci de Oliveira, Damaris Lucena, Ilda Martins da Silva, Izaura Silva Coqueiro, Pedrina José de Carvalho, Elzita Santa Cruz (mãe de Fernando Santa Cruz, desaparecido político), Clara Charf e Eunice Paiva (viúva de Rubens Paiva).

Em memória, o prêmio homenageou Zuleika Alambert (1922-2012) e Marcia Yajgunovitch Mafra (1947-2011) e foi concedido a Ñasaindy Barret de Araújo, filha da paraguaia Soledad Barret e do brasileiro José Maria Ferreira de Araújo, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), ambos assassinados pela ditadura.

Em 2014 e 2015, não houve premiação.

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