Marginal do Tietê ainda apresenta muitos problemas

28/03/2012

Dois anos depois

Dois anos depois: Marginal do Tietê ainda apresenta muitos problemas

Dois anos após uma reforma bilionária, que custou mais de R$ 1,8 bilhão aos cofres do Estado, a Marginal do Tietê ainda apresenta problemas. O mais visível é a iluminação. Enquanto pelo menos 240 lâmpadas, em diversos pontos da via, estavam apagadas na noite da última segunda-feira (26/3), outras cerca de 200 ficaram acesas durante o dia da terça-feira (27/3).

“Não faz sentido essas lâmpadas ficarem acesas enquanto há iluminação natural. É um gasto desnecessário”, afirma a professora e economista Virginia Parente, que dá aulas no Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP). Ela sugere que os horários em que as luzes acendem devem ser ajustados a cada troca de estação do ano, para aproveitar o sol e economizar. Segundo especialistas, em geral, isso ocorre devido a um defeito em um equipamento chamado relê fotoelétrico, que mede a quantidade de iluminação natural e acende ou apaga a luz.

À noite, são outros os problemas. O Departamento de Iluminação Pública da Prefeitura (Ilume) aponta, entre outros fatores, o vandalismo e o furto de cabos para explicar o apagão

Outros problemas não foram resolvidos

Os demais problemas dizem respeito a projetos anunciados em junho de 2009, quando o governo do Estado iniciou a reforma. A criação de um “sistema inteligente de controle de tráfego”, que permitiria restringir a entrada de motoristas em pontos congestionados, por exemplo, não avançou.

Além disso, falta plantar cerca de 25 mil mudas, como parte do programa de compensação ambiental, construir travessias para pedestres e bicicletas em três pontes e um outro acesso para carros na Ponte Governador Orestes Quércia.

Via high-tech ficou só no papel

A implementação de um sistema de monitoramento inteligente de trânsito nas marginais do Tietê e do Pinheiros, prometido quando as pistas centrais da Tietê foram entregues, há dois anos, ainda não saiu do papel. Trata-se da instalação de câmeras, painéis luminosos, sensores de enchente e de altura de veículos e colocação de semáforos para controlar o acesso às marginais. Em nota, a Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa), estatal de capital misto responsável pelas obras na Marginal, afirmou que governo do Estado e Prefeitura não definiram o valor e o responsável pelas interferências.

Quanto às compensações ambientais pelas obras, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente afirmou que a Dersa ainda tem de plantar cerca de 25 mil árvores em calçadas da Lapa e da Sé, nas regiões oeste e central, respectivamente. Está devendo 17% das 150 mil mudas previstas na Marginal e arredores. Os 126 mil metros quadrados de calçadas verdes foram entregues. Não foram feitas, porém, as travessias de pedestres e bicicletas e as barreiras acústicas no entorno de escolas, hospitais e residências. A Dersa estuda pôr janelas antirruído no lugar. A alça entre a Ponte Estaiada e o Bom Retiro, atrasada, depende de desapropriações no entorno. (com informações do Jornal da Tarde)

MP chegou até a pedir que obra fosse suspensa

Em setembro de 2009, o Ministério Público Estadual pediu que a obra de ampliação da Marginal Tietê fosse suspensa baseada em um diagnóstico de especialistas. Na época, urbanistas alertaram que a obra iria aumentar as enchentes e congestionamentos.

Os deputados da Bancada do PT denunciaram em Plenário toda essa problemática. No entanto, o governo do Estado prosseguiu com a construção e às pressas, em março de 2010, fez a entrega da obra incompleta. Também a Justiça decidiu não acatar o pedido do MP.

Erro histórico

Para arquitetos e urbanistas, a obra da chamada “Nova Marginal” é um grande erro. Em setembro de 2009, o arquiteto Vasco de Mello disse que: “É um erro histórico. As pistas vão ficar congestionadas em seis meses. Estão jogando dinheiro no ralo”.

O grupo de entidades que representam geógrafos, arquitetos e urbanistas já havia elaborado, no dia 4 de agosto de 2009, uma moção contra a continuidade das obras na Nova Marginal. “Há importantes questões geográficas e ambientais em jogo a serem respeitadas, relacionadas à hidrografia e aos fatores climáticos, incluindo a poluição e as ilhas de calor que poderão aumentar consideravelmente com o aumento da impermeabilização e o mar de pistas de asfalto sem nenhum sombreamento, já que as árvores foram derrubadas”, informa o texto da Moção Sobre a Nova Marginal, Seus Desdobramentos e Suas Alternativas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *