Médicos e pacientes protestam contra projeto para modificar lei que proíbe amianto

11/11/2009 12:16:00

Prevenção ao Mesotelioma

 

 

O deputado Marcos Martins lançou no final da tarde desta terça-feira (10/11) a Campanha Estadual de Prevenção ao Mesotelioma, câncer de pleura provocado pelo amianto, que mata cerca de 100 mil pessoas por ano em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.

O lançamento da campanha ocorreu durante o Ato “Mesotelioma: você conhece esta doença?”, realizado no Auditório Franco Montoro, com a presença de inúmeros especialistas, familiares e pacientes vítimas da doença.

“Realizamos audiências públicas, visitas às Câmaras Municipais e inúmeras atividades para conscientizar os trabalhadores e as autoridades sobre o perigo do uso do amianto. A maioria da diretoria da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto já apresenta os sintomas de doenças pulmonares”, disse o deputado, que é autor da lei 12.684/07, que proíbe a utilização da fibra, comum em vários setores, como construção civil, isolamento acústico e térmico, indústrias automobilística e naval.

Contra PL 917/09

Um painel com o apelo de familiares de trabalhadores que morreram devido ao mesotelioma e outras doenças provocadas pelo amianto chamava a atenção da plateia que compareceu à Assembleia. Os depoentes pediam a retirada imediata do PL 917/09, de autoria do deputado Waldir Agnello (PTB).

O projeto, apresentado com o objetivo de estabelecer normas de transição para a proibição do amianto, pretende anular o efeito da Lei de Marcos Martins.

“Estamos enfrentando uma tentativa de desregulamentação da lei. Todos sabem da gravidade da doença. Mesmo assim, há um projeto para adulterar a lei que proíbe o amianto em todo o Estado de São Paulo”, denunciou o deputado petista.

Marcos Martins conta com o apoio, na luta pela manutenção da proibição do amianto, até de empresários que trabalhavam com a matéria-prima, mas já fizeram a transição e optaram por produtos como o fibrocimento, em respeito à lei e também atentos à gravidade do uso da matéria-prima.

Para o deputado, “há uma indústria da morte, que faz lobby junto às Câmaras, Senado e outras instâncias de poder para garantir a permanência do produto na indústria. O projeto em trâmite na Assembleia propõe que o amianto seja permitido por mais 10 anos, com direito à prorrogação por outros 10 anos. A tentativa de mudar a lei em vigor é absurda porque, em uma década, milhares de pessoas vão morrer vítimas do uso irresponsável deste produto.”.

Sintomas dramáticos

Uma performance do Grupo de Teatro Cia. de Eventos destacou os efeitos dramáticos do câncer de pleura, doença incurável que provoca falta de ar, dor toráxica, extremo cansaço, tosse e febre.

Líder do Movimento Internacional da Luta Contra o Amianto (Ban Asbestos), a médica britânica Laurie Kazan-Allen apresentou, em vídeo, detalhes sobre as doenças provocadas pela fibra utilizada na indústria por ser barata e facilmente encontrada na naturaza.

Segundo Kazan-Allen, o único agente cientificamente reconhecido como causador do mesotelioma é o amianto. A doença é ainda mais dramática por ter um longo período de latência, que pode chegar a 30 anos, e levar cerca de 80% dos pacientes a óbito, no primeiro ano após o aparecimento dos sintomas.

A coordenadora de Prevenção e Vigilância do Câncer do Inca (Instituto Nacional do Câncer). Silvana Rubano Barreto Turci, e a jornalista Conceição Lemes, autora de uma premiada série de 30 reportagens sobre o amianto, também fizeram palestras durante o Ato, que contou ainda com a presença dos seguintes especialistas: Suzana Mulhman, arquiteta argentina responsável pela ‘desamiantização’ dos prédios públicos de Buenos Aires, Simone Alves dos Santos, do Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Fernanda Gianazzi, engenheira líder do Ban Asbestos no Brasil, Eduardo Algranti, médico da Fundacentro, e Mauro Menzes, advogado especialista no banimento do amianto e defensor da lei do deputado Marcos Martins no Congresso Federal.

O Presidente da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto, Eliezer João de Souza, e a representante das famílias enlutadas, Profª Drª Renata Zoudine, também participaram da mesa de debates. Eliezer é ex-funcionário da Eternit de Osasco e Renata é viúva de um engenheiro que trabalhou na mesma empresa e faleceu, vítima de mesotelioma.

A conscientização sobre o risco de contaminação pela fibra no ambiente de trabalho e nas proximidades de fábricas, minerações e indústrias que trabalham com a matéria-prima levou ao Auditório Franco Montoro representantes dos trabalhadores de pólos industriais, como João Elias de Góis, do Conselho InterSindical de Saúde do Trabalhador de Osasco e Região, Geraldo, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, e Tonhão Dutra, vereador em São José dos Campos.

 

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