Ministério Público pede suspensão de obras na Marginal

10/09/2009 18:05:00

São Paulo submersa

Crédito:

Serra pede para povo rezar

 

 

O caos provocado pelas chuvas da última terça-feira (08/09) tem sido motivo de indignação e denúncias no plenário da Assembleia Legislativa. Urbanistas também alertam que as obras da Nova Marginal vão aumentar as enchentes e congestionamentos. O Ministério Público Estadual pediu ontem que a obra de ampliação da via seja suspensa.

O líder da Bancada do PT, deputado Rui Falcão, lembrou dos investimentos feitos pelo Governo do Estado ao longo de mais de uma década em obras feitas, supostamente, para conter enchentes. “Uma mina de dinheiro foi sepultada nas obras do Tietê e o rio transbordou logo na primeira chuva. O governador pede para o povo rezar e deposita a culpa na natureza e em Deus pelas enchentes, ao invés de assumir sua incompetência”, disse Rui Falcão.

Erro histórico

Para arquitetos e urbanistas, a obra da Nova Marginal é um grande erro, que não vai minimizar os congestionamentos e as enchentes que atormentam os paulistanos. “É um erro histórico. As pistas vão ficar congestionadas em seis meses. Estão jogando dinheiro no ralo”, denuncia o arquiteto Vasco de Mello em reportagem publicada hoje na Folha de São Paulo. Mello integra um grupo que questiona a obra do governador José Serra, orçada em R$ 1,3 bilhão.

O grupo de entidades que representam geógrafos, arquitetos e urbanistas já havia elaborado, no dia 04 de agosto, uma moção contra a continuidade das obras na Nova Marginal. “Há importantes questões geográficas e ambientais em jogo a serem respeitadas, relacionadas à hidrografia e aos fatores climáticos, incluindo a poluição e as ilhas de calor que poderão aumentar consideravelmente com o aumento da impermeabilização e o mar de pistas de asfalto sem nenhum sombreamento, já que as árvores foram derrubadas”, informa o texto da Moção Sobre a Nova Marginal, Seus Desdobramentos e Suas Alternativas.

O documento será encaminhado aos Secretários de Transporte do Estado e do Município, Mauro Arce e Alexandre de Moraes, e também ao Diretor-Presidente da Dersa, Delson José Amador.

Atento ao diagnóstico dos especialistas, o Ministério Público Estadual também emitiu ontem parecer para que as obras na Marginal Tietê sejam suspensas. A Justiça deve decidir nos próximos dias se acata ou não o pedido do MP.

Na Assembleia, o deputado Enio Tatto denunciou o arquivamento de uma CPI proposta pelo PT, há 4 anos, para apurar as denúncias de superfaturamento e ineficiência das obras de rebaixamento da Calha do Rio Tietê. Às vésperas da inauguração da obra, em maio de 2005, São Paulo ficou ilhada por causa do transbordamento do Rio, a exemplo do que ocorreu na última terça-feira. A Bancada do PT pediu uma CPI para investigar o caso. A Bancada do PSDB e seus aliados barraram o prosseguimento da Comissão.

Enchentes até no alto

Para o deputado Marcos Martins, as enchentes em São Paulo tornaram-se tão caóticas que nem a velha lógica de alagamento das regiões mais baixas faz sentido para os paulistanos. “As enchentes agora acontecem em cima de viadutos, nas áreas mais altas, porque existem também problemas na coleta de lixo”, denunciou Martins.

Reportagens publicadas em diversos jornais confirmam que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) congelou as obras dos piscinões que poderiam conter enchentes e que o lixo acumulado entupiu as bocas de lobo nas regiões do Minhocão e nas Marginais dos Rios Tietê e Pinheiros.

“As Marginais amanhecerem cheias de lixo, galhos e troncos de árvores, pneus de caminhões, sacos plásticos, caixas de papelão e até cones de sinalização quebrados”, diz reportagem do Jornal O Estado de São Paulo sobre os dias seguintes à chuva que deixou a cidade submersa.

O naufrágio de São Paulo foi descrito também pelo jornalista Gilberto Dimenstein na Rádio CBN: “O caos que se transformou a cidade de São Paulo ajudou a mostrar o que considero o maior erro de toda a gestão José Serra: torrar centenas de milhões de reais para ampliar a marginal do Tietê. É uma obra absolutamente estúpida e, suspeito, com fundo eleitoral da pior espécie. O que vimos é resultado de uma série de governantes que desrespeitaram a natureza da cidade, tornando cada vez mais difícil a vazão da água. As obras da marginal colocam Serra nessa lista. As obras impermeabilizam ainda mais a cidade e, de quebra, significaram a derrubada de milhares de árvores.”.

Para assinar a Moção Sobre a Nova Marginal, Seus Desdobramentos e Suas Alternativas, acesse www.petitiononline.com/marginal

 

 

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