Moradores de Taipas querem traçado alternativo para Rodoanel Norte

18/06/2011 13:24:00

Audiência pública

 

A quadra da Associação de Amigos de Bairro de Taipais, na sexta-feira (17/6), foi palco uma disputa diferente da que os moradores que serão atingidos  pelas obras do Trecho Norte do Rodoanel, estão acostumados a acompanhar. População do bairro, lideranças e técnicos da Dersa se enfrentaram no exercício de cidadania durante as discussões do traçado da obra.      

Cerca de mil pessoas disputaram espaços da quadra, que a partir da 10 horas da manhã, lotou a área para discutir com representantes da Dersa, parlamentares municipais e estaduais, lideranças comunitárias e ambientalistas; os prováveis impactos sociais, ambientais e no trânsito trazidos pelo traçado do Rodoanel, apresentado pelo governo Alckmin e que cortará artérias viárias do bairro, pobre, populoso e já usado como rota de fuga para acesso á capital.   

As discussões foram precedidas pela contextualização do movimento feita pelo vereador Francisco Chagas, que deu a deixa para o líder comunitário Miguel Gomes, elencar as ausências como representante da CDHU e da prefeitura municipal de São Paulo.

“Nós vamos deixar claro que não aceitaremos proposta de bolsa aluguel. Ninguém vai sair de sua casa sem a garantia de outra moradia para morar”, informou Miguel sobre a decisão da comunidade.        

Aos 128 anos de sua constituição, Taipas abriga fábricas de plásticos, papelão, tinturaria, é cenário de pequenas casas, apoiadas uma sobre as outra, cravadas nos morros e tem à frente à luta por moradia, atendimento médico, escolas, trabalho, lazer predominantemente mulheres, como a Roseli Bonfim, Vera Rodrigues, Helena Cardoso de Souza e Sonia Barbosa, todas são lideranças na comunidade.  

Com a fala contundente de quem há anos luta por melhorias para a região Sonia fez  apelos para os moradores manterem a mobilização “acordemos para vida, moradia é a base da dignidade. Se não tivermos moradia não seremos gente. A CDHU e a prefeitura têm que vir aqui e conversar com os moradores, nós temos que exigir respeito.”, sentenciou, Soninha, como é conhecida pela comunidade.

Temente à Deus

O deputado do PSDB, Celino Cardoso também presente na reunião, pediu para ser um dos primeiros políticos à falar alegando que por conta de compromisso, teria que sair a seguir, mas se viu acuado ao ser criticado e cobrado por não ouvir as demandas da população. “O governador Geraldo Alckmin, me pediu para eu vir até aqui e informar à vocês, que ninguém vai ficar na rua, e que foi firmado um convênio entre a Dersa e a CDHU, para abrigar as famílias que forem desapropriadas. Vocês podem acalmar seus corações, que o governador é um homem cristão e temente à Deus”, ponderou o tucano.

A seguir o petista Luiz Claudio Marcolino, colocou aos presentes o mérito da mobilização. “ Foi a partir  da pressão da população por respostas de para aonde iriam com a desapropriação é que a Dersa resolveu firmar este convênio, que ainda assim é insuficiente, pois por enquanto, prevê apenas 600 moradias e sabemos que pelo menos quatro mil famílias serão atingidas.” destacou o deputado estadual.

Já o vereador do PT Chico Macena, levantou dúvidas sobre os impactos ambientais e informou que teve acesso a um estudo produzido pela secretaria municipal de meio ambiente que elencou 70 questões sobre os reflexos da obra.

Outra questão feita por Macena foi quanto a situação dos moradores não possuem documentos da propriedade e lançou a pergunta. “Como a Dersa vai indenizar estas pessoas? Esta não pode condição para não ter seus diretos respeitados”, concluiu.

Gente Humilde

O líder religioso Cícero Macedo, ressaltou a dificuldade dos moradores para construir suas casas e a necessidade de manterem a união para enfrentar o problema. “Nós somos humildes, mas sabemos dos nossos diretos”. Na mesma linha José Garcia, mandou o seu recado, “somos favoráveis ao desenvolvimento, mas os pobres não podem pagar o preço, já sofremos com os desvios e aqui o trânsito está um caos,” e cobrou um estudo de fluxo de carros para a local.         

As conseqüências da falta de planejamento e de compromisso com as populações mais carentes, por da Dersa e da prefeitura, foi mencionada em vários momentos e até descrita pelo deputado estadual Simão Pedro.

“ Nós precisamos ter a maior número de informações, clareza e transparência de todo este processo para que não se repita o que aconteceu com a população remanejada para as obras do Jacu Pêssego e da Nova Marginal”, lembrou o deputado  do PT, ao se referir aos compromissos não cumpridos pela a Dersa e a administração do prefeito Gilberto Kassab, que ainda não entregou moradia aos moradores desabrigados.                       

O representante da Dersa que recebeu da comunidade documento com proposta de alteração do traçado se pronunciou ao final das críticas e indagações dos participantes  e repetiu o mesmo argumento apresentado nas outras reuniões,- “a empresa não vai deixar moradores desabrigados,” porém ressalvou que a Dersa segue os parâmetros legais e para receber um imóvel da CDHU, ou indenização pela sua casa é necessário ter algum documento.                       

 

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