Movimento sociais unem-se na defesa da agricultura familiar e da reforma agrária

23/11/2017

Crédito:

O desmonte promovido pelo governo golpista de Michel Temer das políticas públicas voltadas à agricultura familiar, à agroecologia e à reforma agrária foi o assunto da audiência pública realizada na manhã desta quinta-feira, 22/11, na Câmara Municipal de São Paulo. Organizado pelas deputadas estaduais Márcia Lia e Ana do Carmo e pelo deputado federal Nilto Tatto (PT/SP), o encontro teve a participação do ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Patrus Ananias, de representantes do MST, de centrais sindicais e de diversos movimentos sociais.

A deputada Márcia Lia destacou os cortes impostos por Temer no Orçamento de 2018, que reduzirão em 98% os recursos destinados aos programas da agricultura familiar, como o Pronaf. A deputada lembra que os produtores familiares são responsáveis por mais de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros e avalia como graves os impactos que a medida do governo federal vai causar para a população trabalhadora. Já Ana do Carmo chamou a atenção para o uso excessivo dos agrotóxicos na agricultura convencional e seus impactos sobre a saúde da população. Ela defendeu o engajamento para a criação de políticas públicas que incentivem a agroecologia e a produção de alimentos orgânicos.

Patrus Ananias lembrou as políticas de fomento à agricultura familiar desenvolvidas pelos governos Lula e Dilma, que foram em grande parte responsáveis pela erradicação da fome no país, um mal que voltou a assombrar o Brasil depois do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O deputado Nilton Tatto acrescentou que outros importantes programas também estão sofrendo cortes severos, como os que oferecem assistência técnica ao produtor rural e o Programa de Aquisição de Alimentos, que garante a comercialização e a aquisição direta de produtos de agricultores familiares por insituições públicas.

Além de serem abandonados à própria sorte, os pequenos produtores familiares vão ter de enfrentar as consequências do endividamento pregresso. Segundo Zezinho, da Articulação Paulista pela Agroecologia (APA), os programas de Lula incentivaram a diversificação da produção, estimularam investimentos e a procura por crédito. As garantias dadas pelos pequenos produtores para a tomada de empréstimos eram os próprios programas institucionais. Agora, os bancos irão executar os pequenos agricultores endividados sem que estes tenham qualquer respaldo governamental.

O quadro que o governo golpista apresenta aos agricultores familiares, assentados da reforma agrária, comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais ou empreendimentos familiares rurais é, portanto, de incertezas e dificuldades. O grande desafio é combatê-lo e organizar a resistência.

Raimundo Bonfim, da Central do Movimentos Populares, conclamou os diferentes setores da esquerda e os movimentos sociais a aprofundarem-se na defesa da alimentacão saudável, em suas várias dimensões, o que implica, entre outras coisas o envolvimento dos trabalhadores e dos sindicatos na criação de estratégias coletivas para fortalecer os mecanismos de compra de produtos da reforma agrária e da agricultura familiar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *