Movimentos sociais discutem educação no campo

03/08/2015

Escolas rurais

Representantes do MST e de outros movimentos sociais protestaram contra o fechamento das escolas rurais durante Encontro Estadual de Educação no Campo que aconteceu nesta segunda-feira (3/8) na Assembleia Legislativa.

Segundo dados do MST, no Brasil 4.084 escola rurais fecharam em 2014, o que representa 85 mil jovens sem a oportunidade de estudar. Em São Paulo, foram 59 escolas fechadas ano passado.

O deputado Carlos Neder falou sobre o êxodo rural dos últimos anos. “Temos que enxergar essa nova realidade brasileira, entender por que houve esse êxodo, discutir um desenvolvimento sustentável para essas regiões e trabalhar para que o jovem possa permanecer no campo”, afirmou Neder, colocando a educação como peça fundamental.

Alexandre Freitas, secretário de Educação de Matão, afirmou que a educação no campo é possível e falou sobre a experiência exitosa pela qual a região vem passando desde 2001, quando teve início um governo democrático e popular em Araraquara.

Segundo ele, a demanda para três escolas rurais surgiu durante uma Conferência de Educação já nos primeiros meses de governo. Alexandre enfatizou o papel da participação popular e seus diversos instrumentos, como o orçamento participativo, nesse processo.

Ele destacou a proposta pedagógica, valorizando a realidade e a identidade da criança do campo, bem como os desafios superados. A deputada Marcia Lia era na época coordenadora de Participação Popular de Araraquara e acompanhou diretamente todo o processo de desenvolvimento do programa nos assentamentos Bela Vista e Monte Alegre.

O “Escola do Campo” recebeu o Prêmio Gestão Pública e Cidadania da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP) em 2004, figurando entre as cinco melhores iniciativas do país. “Quando há vontade política é possível”, disse Marcia.

O secretário Alexandre colocou como um dos principais problemas a falta de um sistema de colaboração entre os entes federados para a educação no campo. Ele contou que a comunidade solicitou a municipalização das escolas, já que, apesar das inúmeras tentativas, não era possível um diálogo com o governo do Estado. “Desde aquela época tentamos uma articulação estadual, mas nunca aconteceu”, afirmou Alexandre.

O superintendente do Incra em São Paulo, Wellington Diniz, falou sobre o Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), que surgiu a partir da demanda dos movimentos sociais e possibilita a escolarização, graduação e capacitação de assentados. “Reforma agrária não é só destinar terras, mas garantir que essas pessoas possam se fixar no campo”,falou Wellington.

Em São Paulo, o Pronera tem convênio com a USP, UFSCar, Unicamp, Unesp, entre outras instituições. “São mais de 500 jovens e adultos nos cursos de alfabetização e mais de 300 em universidades”, destacou o superintendente do Incra.

Outros desafios e problemas foram colocados pelos participantes do encontro, como o descompasso entre o Plano Nacional de Educação e o Plano Estadual, que sequer está concluído, a mercantilização do ensino, a falta de um projeto específico para as escolas rurais, a desvalorização do professor etc.

A deputada Marcia Lia assumiu o compromisso de encaminhar ao governo do Estado o relatório desse encontro por meio da Frente Parlamentar pela Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Segurança Alimentar, coordenada por ela. (FF)

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