Movimentos sociais propõem ação para cobrar de Alckmin crise da água. PT já tem pedido de CPI

14/05/2014

Responsabilidade tucana

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Bancada do PT recolhe assinaturas para protocolar pedido de CPI para apurar as perdas de água e contratos da Sabesp com empresas de ex-diretores

Movimentos sociais e sindicais anunciaram, nesta terça-feira (13/5), que vão organizar uma mobilização para denunciar falta de ação do governo de Geraldo Alckmin sobre a crise de abastecimento que afeta a população das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas. A decisão foi informada durante o seminário “A Crise da Água em São Paulo”, que discutiu o tema.

“Vamos nos reunir com os demais movimentos para organizar esse processo. Vamos convocar associação de bairro, igrejas, todos os que podem ser impactados por essa situação”, prometeu o presidente da CUT de São Paulo, Adi dos Santos Lima. O dirigente cutista disse também que a entidade questionará na Justiça uma possível implementação da multa sobre o consumo de água, por considerá-la inconstitucional. A medida é defendida por Alckmin, como forma de forçar a economia de água da população abastecida pelo Sistema Cantareira, que hoje chegou a apenas 8,6% da capacidade.

Para os movimentos, a seca no Sistema Cantareira é fruto da má gestão do governo estadual e da Sabesp. E não somente um problema climático ou culpa da população que gasta demais. “Está faltando mobilização de rua para cobrar do governo estadual esclarecimentos em relação à crise e explicar a falta de investimentos e do acesso à água”, afirmou Benedito Barbosa, coordenador da CMP.

Líder do PT denuncia que racionamento já existe

O líder da Bancada do PT, deputado João Paulo Rillo, enfatizou que o racionamento já é realidade nas periferias, apesar de toda a negativa do governador. Neste sentido, pessoas presentes no seminário deram depoimentos reforçando a denúncia, como é o caso de
Jadir Bonancia, morador da Casa Verde, zona norte, e militante do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), disse que todas as noites a região fica sem água, contando apenas com as caixas d`água de cada residência. “Nunca fomos informados oficialmente, mas por volta de 22h não tem mais água vindo da rede. E só volta pela manhã”, afirmou.

O ex-prefeito de Diadema, Mario Reali, que apresentou estudos que demonstram a má gestão da Sabesp, explicou que a crise da água em São Paulo é a “crônica de uma morte anunciada”. São Paulo tem necessidade de 28 metros cúbicos de água por segundo e, com o volume morto, chegará a apenas 14 m3. “A própria Sabesp admite que há uma diminuição na vazão durante a noite que equivale a um rodízio 48h por 48h”, ressaltou Reali.

PT quer CPI para investigar perdas de água e contratos da Sabesp

A Bancada do PT na Assembleia Legislativa quer investigar, por meio da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito –CPI, as perdas de água da Sabesp. A companhia tem um contrato de R$ 400 milhões com a companhia japonesa de desenvolvimento – Jica –, executado desde 2009, mas cuja situação continua a mesma: perde-se cerca de 30% da água tratada para a região metropolitana de São Paulo.

O requerimento de pedido da CPI, de autoria do deputado Marcos Martins, descreve também a investigação da contratação de empresas de ex-diretores da Sabesp, que prestam serviço para a companhia, sobretudo em manutenção de redes. Até o momento, 26 parlamentares assinaram o requerimento. São necessários 32 para que o pedido seja protocolado.

Os deputados Adriano Diogo, Alencar Santana Braga, Ana do Carmo, Antonio Mentor, Beth Sahão, Carlos Neder, Enio Tatto e José Zico Prado, também estiveram presentes no seminário e abordaram em suas intervenções a responsabilidade do governo tucano sobre a atual crise, pois não foram feitos os investimentos necessários, apesar dos altos lucros da Sabesp. “Privatizaram a empresa, que passou a ter que dar a lucro aos acionistas e ao invés de resolver os problemas de saneamento do Estado”, disse Adriano Diogo. (sc) (*com informações da Rede Brasil Atual)

Clique aqui para assistir reportagem da TVT sobre o Seminário.

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