MST participa de ato contra venda de áreas destinadas à pesquisa

21/06/2016

PL 328

Pesquisadores de todo o Estado de São Paulo estiveram nesta terça-feira (21/6) na Assembleia Legislativa num ato contra o PL 328, de autoria do governador Geraldo Alckmin, que prevê a alienação de 79 imóveis públicos, inclusive áreas de preservação destinadas à pesquisa científica.

Pela manhã, houve panfletagem e “apitaço” em frente à Assembleia para denunciar à população os planos dos tucanos de privatizar o Estado e suas consequências.

Em seguida, o deputado Carlos Neder abriu os trabalhos explicando que, nesse momento, o processo legislativo do PL 328 encontra-se suspenso por liminar da Justiça concedida a partir de mandado de segurança impetrado por ele.

Neder disse que, caso o governo cosiga reverter essa suspensão, a Assembleia, de maioria governista, vai aprovar o PL. Por isso, oposição, pesquisadores e todos aqueles contrários a essa privatização de terras deveriam discutir desde já o destino que será dado a esse patrimônio. “Irá para o mercado imobiliário? Irá para uma PPP? Em momento algum do PL o governador fala em reverter os recursos dessa venda em incentivos para a área de tecnologia, ciência e inovação”, alertou Neder.

Nesse sentido, ele anunciou o apoio do Movimento Sem Terra (MST) ao ato dos pesquisadores. “O pessoal da reforma agrária vai querer entrar na discussão. Por que para o mercado imobiliário e não para pessoas que hoje estão acampadas na beira da estrada?”, questionou o deputado.

Delveque Matheus, da direção nacional do MST, afirmou que o movimento é favorável à pesquisa e ao conhecimento científico que está a serviço da população, principalmente a mais pobre. “A reforma agrária está nesse contexto. Queremos que a terra cumpra sua função social. Temos interesse nessas áreas para assentamentos e propomos uma parceria com a pesquisa, como a produção de alimentos da agroecologia”, afirmou Delveque.

Ele denunciou que hoje, por exemplo, 50 mil hectares de terras do Instituto florestal estão nas mãos da iniciativa privada com plantação de pinus e eucaliptos, sem função social.

O líder da Bancada do PT, deputado José Zico Prado, concordou. “Quem precisa do Estado é a agricultura familiar, não o agronegócio”, afirmou Zico, que ainda parabenizou a categoria pela mobilização e convidou a todos para que participem da CPI da Merenda. “Só com pressão externa é que vamos conseguir”.

Joaquim Adelino, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (ApqC), disse que esse projeto veio coroar 30 anos de desmonte da pesquisa no Estado. “Já sofremos com péssimas condições de trabalho, baixos salários, ausência de concursos. O governo coloca nossasinstituições a serviço do capital. Não há alternativa para que os trabalhadores que estão nessas áreas sejam remanejados e deem continuidade à pesquisa”, afirmou Joaquim.

Ele explicou que, segundo o governador, esses terrenos são ociosos ou de pouca serventia. “Os mesmos adjetivos que o governo está usando para essas áreasele usa para qualificar os trabalhadores”, concluiu.

As deputadas Ana do Carmo, Beth Sahão e Marcia Lia, também presentes ao evento, citaram outros vários exemplos de privatização do Estado promovidos pelos tucanos e reforçaram a importância da mobilização externa nesse momento.

Fernanda Fiot

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