Mulheres cobram medidas para coibir abuso sexual no transporte público

08/04/2014

Cidadania

A incidência de casos de violência sexual nos sistemas de transportes públicos de São Paulo, divulgados e difundidos nas redes sócias foi tema de Audiência Pública promovida na manhã desta terça-feira, pela parlamentar Beth Sahão, que contou com a participação de lideranças femininas de movimentos sociais, sindicais, órgãos públicos e contou também com a presença de homens solidários a lutas das mulheres contra a violência e o machismo.

Nos primeiros meses deste ano a imprensa noticiou diversos casos de abusos sexuais nos vagões lotados do Metrô e da CPTM, segunda a polícia civil há pelo menos 22 casos notificados e apenas um homem foi detido.

Esta situação de subnotificação e impunidade foi repudiada por Sonia Maria Coelho, representante do Movimento da Marcha das Mulheres, que cobrou ações mais efetivas do governo do Estado para conter estas atitudes de abusos contra as mulheres.

Já Viviam Mendes da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres da prefeitura de São Paulo citou as iniciativas que podem inibir e prevenir atitudes e abusos e violência, como a Campanhas do Jornal do Ônibus e o número 180, disponível para denúncias de violência contra as mulheres.

Lucineide Varjão, outra integrante da mesa de debate destacou a falta de punição para eliminação da prática de abusos nos meios de transportes lotados e apontou também a falta de atendimento adequado as vítimas de constrangimentos e abusos sexuais.

Na avaliação de Janaina Leslão Garcia, representante do Conselho Regional de Psicologia, o problema do “encoxamento” está calcado em três pilares; transportes público insuficiente, sociedade individualista e machismo.

No primeiro quesito Janaina chamou atenção para a situação das pessoas estarem “amontoadas” no vagões do Metrô e da CPTM, o que viabiliza a ação de abusadores. Quanto ao individualismo da sociedade a psicóloga aponta o conceito do merecimento difundido e que as pessoas buscam soluções individuais, para questões coletivas e são aplaudidas como bem sucedidas, pois buscaram solução por meios próprios e mostrou como o carro simboliza este roteiro social.

Marcos Biancardi que representou o Estado, por meio da CPTM, foi o único homem que integrou a mesa de debates e narrou as dificuldades da companhia em combater as situações de comércio ilegal, agressões, brigas e por último este fenômeno de violência sexual.

As mulheres que lideram o debate foram unanimes em cobrar ações mais efetivas do governo do Estado em combate à violência e abuso e cobraram campanhas educativas, nos sistemas de comunicação institucionais do Metrô e da CPTM, como foco na prevenção, pregando o respeito e igualdade entre homens e mulheres e outras estimulando a denúncia e a solidariedade com as vítimas.

O escalamento de mulheres para a realização de patrulhas nos vagões, a instalação de câmeras também compuseram a relação de propostas para combate ao problema.

Desde início deste ano, a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom) registrou 22 casos dessa natureza. Segundo dados da Polícia Civil, o perfil dos agressores são homens que têm, em média, 32 anos e preferem atacar de manhã. As Linhas 3-Vermelha, do Metrô, e 7-Rubi e 11-Coral, da CPTM, são as mais visadas.

A prisão de assediadores, de acordo com a legislação vigente, depende do registro de ocorrência por testemunhas. Atualmente as vítimas têm feito boletins de ocorrência e termos circunstanciados registrados por assédio sexual e a maioria dos abusadores são liberados.

A deputada Beth Sahão mencionou a necessidade de cobrar do Ministério Púbico o acompanhamento das ações do Estado para coibir a prática de abuso sexual e fez coro as críticas ao Estado. (rm)

Rolezinho contra as encoxadas! #Nenhuma mulher merece ser estuprada!

Na quinta-feira (10/4), às 17h, as mulheres vão a Estação de Metrô República para realizar o 2º Rolezinho contra as encoxadas. Na pauta, a mulheres querem mais segurança no transporte público e que nenhuma mulher merece ser estuprada, agredida ou assediada.

O lema “é o fim da linha para os machistas: #NenhumaMulherMereceSerEncoxada”.

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