Negócio com Estado garantia lucro de 100% à Cooperativa que fraudava a merenda

26/08/2016

CPI da Merenda

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Gerente administrativo da COAF recebia salário de vinte sete mil reais

Dos cinco integrantes da Cooperativa Agrícola Familiar, cotados para depor na sessão da CPI da Merenda nesta semana, apenas dois foram inquiridos pelos deputados.
O principal personagem do esquema fraudulento que burlou licitações do Estado, na aquisição de merenda para as escolas da rede pública Cássio Chebabi, segundo apurações da Operação Alba, ficou calado alegando que havia feito delação premiada e não poderia falar à CPI.

Além dos protestos e insistências da Bancada de oposição, para que Chebabi prestasse depoimento à CPI, o deputado Alencar Santana Braga, perguntou sobre as diferenças entre suas declarações nos depoimentos realizados na delegacia e na Corregedoria do Estado. “Porque a Corregedoria apurou outra coisa”, alegou Chebabi que se negou a continuar respondendo qualquer outra questão, ao perceber que havia caído num ato falho.

Em entrevista à imprensa o deputado Alencar Santana Braga ressaltou a contradição da alegação da delação premiada, evocada por Chebabi para não responder à CPI. “Ele esteve na delegacia e na Corregedoria do Estado, voluntariamente e aqui na CPI, que tem função política judiciária de investigação ele fica calado?” questionou. E mais, completou Alencar, “se ele fez delação, denunciou quem? Os demais que estiveram na CPI, eram subordinados a ele, então, só posso concluir que ele delatou os de cima e quem eram estes, salientou Alencar.

A seguir a CPI ouviu Adriano Miller ex- funcionário da COAF e executava a função de gerente administrativo que prestou depoimento reservado e trouxe informações significativas na avaliação do deputado Alencar Santana Braga.

De acordo com o deputado Adriano disse que sucedeu João Roberto Fossaluzza Jr, recebia a remuneração 27 mil reais mensais e afirmou que no contrato com o Estado, a COAF tinha lucro de 100%, na venda de suco de laranja nas embalagens de um litro.

Ainda de acordo com o deputado, Miller relatou que o lobista Marcel Ferreira Julio dizia que atuava em nome do deputado estadual Fernando Capez, do PSDB e presidente da Assembleia Legislativa, na cobrança de propina e reiterou outros depoentes ao afirmar que a propina era paga logo após liberação do dinheiro do Estado.

Na avaliação do parlamentar outra passagem relevante na oitiva de Miller foi a troca de telefone entre Marcel e Moita, que à época exercia função de chefe de gabinete da Casa Civil, na antessala do governador Geraldo Alckmin.

Rosário Mendez

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