Nesta terça: ato marca 20 anos do massacre do Carandiru

01/10/2012

Não à impunidade

Após rebelião na Casa de Detenção, 111 presos foram mortos pela tropa de choque da PM. Até hoje ninguém foi responsabilizado pelas mortes

A Pastoral Carcerária e movimentos sociais e de direitos humanos vão realizar ato ecumênico nesta terça-feira (2/10), às 15h, na Catedral da Sé, centro da capital. A celebração faz parte da semana em memória dos 20 anos do massacre do Carandiru e pelo fim dos massacres perpetrados por agentes do Estado. Após uma rebelião na Casa de Detenção do Carandiru, em 2 de outubro de 1992, 111 presos foram mortos pela tropa de choque da PM. Até hoje ninguém foi responsabilizado pelas mortes.

Na sequência da atividade religiosa, será realizado um ato político-cultural no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), ao lado da Catedral. De lá, os manifestantes seguem em curta caminhada para a Secretaria de Justiça, no Páteo do Colégio, onde finalizam o dia com outra atividade político-cultural.

De acordo com o militante do Movimento Mães de Maio Danilo Dara, as atividades pretendem marcar o 2 de outubro como o dia pelo fim dos massacres. “Não só o massacre do Carandiru, mas todos aqueles praticados, em sua maioria, contra a população pobre e negra, que marcam a história do nosso país”, disse Dara. Para ele, não basta lembrar dos ocorridos, é preciso acabar com a impunidade dos agentes do Estado.

Danilo lembra o caso dos crimes de maio de 2006, quando 493 foram mortas por grupos de extermínio, em represália aos atentados do Primeiro Comando da Capital (PCC). Como no massacre do Carandiru, os crimes de maio de 2006 também não foram esclarecidos e ninguém foi responsabilizado pelas mortes.

No próximo sábado (6/10), às 11h, ocorrerá a caminhada cultural pela paz e pela liberdade, no Parque da Juventude, na zona norte. O parque foi construído em 2003 no lugar onde ficava o presídio, após sua demolição. Hoje há, naquele espaço, a Biblioteca São Paulo e a Escola Técnica Estadual (Etec) Parque da Juventude. No local não existe nenhuma menção ao presídio ou ao massacre.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.