O fracasso do monotrilho

21/09/2015

Martírio

O que era para ser solução e modelo de pioneirismo, tornou-se atestado de inoperância, ineficiência e sorvedouro de dinheiro público: o monotrilho de São Paulo. Diante de uma coleção de falhas e atrasos na execução, o projeto do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), está também mais caro do que o previsto.

“Na medida em que o monotrilho demora tanto quanto o metrô para ser implementado e os custos por quilômetro se aproximam, esse modelo passa a perder o atrativo”, avalia o consultor Jaime Waismann, consultor de engenharia de transportes, em reportagem deste domingo (20), do jornal “O Estado de São Paulo”.

“As linhas 15 e 17 estão encaminhadas – seria um prejuízo enorme voltar atrás; mas a Linha 18, que nem sequer começou, é o caso de reavaliar se é a solução mais adequada. Fizemos uma aposta cara e temos de avaliar se vale a pena”, decreta o ex-professor da Universidade de São Paulo (USP).

Sem 93% do cronograma – Dos 38,6 quilômetros de linhas que deveriam ficar prontos em 2015, só quase 2,9 km foram concluídos, o que representa perdas de quase 93% na execução do cronograma comprometido para este ano. O dado ajuda a entender o desencanto do especialista Waismann.

Segundo a reportagem, “a construção de metade das 36 estações previstas nas linhas 15­ (Prata – Ipiranga­/Cidade Tiradentes) e 17 (Ouro – Morumbi/­Congonhas), que já deveriam ter sido entregues, está congelada. E as obras da futura Linha 18 (­Bronze –Tamanduateí/­São Bernardo do Campo) não têm mais prazo para começar, mais de um ano após a assinatura do contrato.”

O relato demonstra que os problemas do monotrilho tucano tornou-se pioneiro, sim, mas em grau de ineficácia e inutilidade: nem a capacidade programada de passageiros, cerca de 48 mil passageiros por hora, o projeto pode alcançar com a velocidade máxima obtida nos testes experimentais: 67 km/h.

Quase 20 km/h mais lento – A exigência, para cumprir aquela meta de passageiros, é de 80 km/h. O monotrilho terá que ser pelo menos 19,4 km/h mais rápido para cumprir o que se propôs.

“Na Linha 15­Prata, com trecho de 2,9 km em operação, os trens ainda não cumprem regras do edital de licitação, como a velocidade máxima exigida”. Tudo isso, somado a atrasos em desapropriações, já resultou em revisão, pela Companhia do Metrô, do número de trens que a linha terá.

“A compra feita para a linha foi de 54 trens. Mas a companhia admite que não terá lugar para guardar 20 deles, uma vez que não há previsão para a construção do Pátio Ragueb Chohfi, em São Mateus, na zona leste, fora do chamado “trecho prioritário” – parte da obra prometida até 2018”, afirma o “Estadão”.

“Na Linha Prata há ainda a elevação de custo em até 105% em relação à primeira promessa da obra. Ela era orçada em R$ 3,5 bilhões (valores corrigidos pela inflação) em 2010, segundo informações divulgadas pelo governo à época. Mas deve custar cerca de R$ 7,2 bilhões.

Para efeito de comparação, a Linha 6­Laranja (São Joaquim­Brasilândia), que terá 15,9 km de metrô convencional, deve custar R$ 9,6 bilhões – e tem o dobro da capacidade de transporte. Na Linha 17­Ouro, travada por atrasos nas desapropriações no Morumbi, zona sul, nenhum trem da linha – prometida para a Copa – está em testes.

Mais incerta de todas, a Linha 18 ­Bronze teve o atraso oficializado há um mês, quando o Metrô publicou informe postergando o início da obra por um prazo de seis meses a até dois anos. Em agosto de 2014, durante a campanha eleitoral, o governador Geraldo Alckmin afirmou que a obra começaria “imediatamente.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *