Osasco reivindica saúde e fim dos pedágios na mais concorrida audiência pública

12/08/2009 16:39:00

Orçamento 2010

 

 

A Câmara Municipal de Osasco realizou na manhã desta quarta-feira (12/08) a mais concorrida audiência pública sobre o Orçamento 2010 já realizada. A participação popular foi tão grande que o auditório não foi suficiente para receber toda a população, que foi em caravanas debater as prioridades do Orçamento do Estado para o próximo ano.

A construção de um Centro Oncológico e a ampliação do número de leitos hospitalares lideraram a lista de reivindicações da região, que abrange mais de 19 municípios, com aproximadamente 3 milhões de habitantes. “Conseguimos garantir que todas as reivindicações sejam sistematizadas e incorporadas à proposta orçamentária antes que ela chegue à Assembleia, em 30 de setembro. A Bancada do PT apresenta nas audiências públicas um comparativo entre os investimentos dos governos federal e estadual para que a população veja a diferença entre estes modelos de administração na aplicação de recursos”, explicou o deputado Enio Tatto, membro efetivo da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia Legislativa.

Para o deputado Marcos Martins, ex-vereador de Osasco, o Estado tem uma dívida social com a população de Osasco, cidade que abrigou as maiores fábricas que utilizavam amianto da América Latina. Altamente tóxica, a substância provoca diversas doenças graves, inclusive câncer. “Osasco não tem atendimento especializado. Quem não tem convênio tem que ir até São Paulo para fazer tratamentos como hemodiálise e quimioterapia”, disse o deputado.

O orçamento municipal não é suficiente e a cidade tem ainda que pagar outras despesas que seriam do Governo do Estado, como o aluguel de fóruns e distritos policiais. “Osasco melhorou muito com a gestão de Emídio de Souza na Prefeitura, mas nos orçamentos anteriores não houve a inclusão de reivindicações básicas”, explicou Marcos Martins.

Centro Oncológico

O Grupo OncoVida, o Setorial de Saúde da Macro Região de Osasco e o líder do PT na Câmara de Osasco endossaram a proposta do deputado Marcos Martins para a construção do Centro Oncológico. “A realidade dos pacientes de câncer que moram em Osasco e nos municípios no entorno é cruel e deplorável”, denunciou Darcy Santana, do grupo OncoVida, que auxilia pacientes com a doença.

Segundo a coordenadora do Setorial de Saúde da Macro de Osasco, Iracy Coutinho, o Hospital Regional de Osasco tem espaço físico para a construção de um Centro Oncológico. “Atualmente, os pacientes da região tem que percorrer até 60 quilômetros de ônibus e trem para fazer quimioterapia em outras cidades”, relatou Iracy Coutinho.

“O governador José Serra tem que iniciar imediatamente a construção do Centro Oncológico. Não é possível tanto sofrimento”, reivindicou o vereador Aluísio Pinheiro, 1º vice-presidente da Câmara de Osasco e líder do Partido dos Trabalhadores na Casa.

Também de Osasco, o vereador Valmir Prascidelli reivindicou emenda para garantir que doenças de alta complexidade, como as que necessitam de quimioterapia e hemodiálise, sejam tratadas na rede estadual de saúde de Osasco. “O Governo do Estado não pode isentar-se de suas responsabilidades com a população dos 19 municípios da região”, disse Prascidelli.

A precariedade do sistema de saúde também foi alvo de denúncias da vice-prefeita de Taboão da Serra, Professora Márcia Regina da Silva. “A região ganhou obras viárias, mas não temos onde atender vítimas de acidentes de trânsito. Em Taboão, faltam leitos hospitalares e equipamentos como ressonância magnética”, explicou a Profª Márcia.

Presente de grego

Responsável pela maior caravana presente à audiência, a Central Única de Favelas de Carapicuíba reivindicou a ampliação de cotas na CDHU para a população que reside em área de risco e também a urbanização de áreas já ocupadas por favelas. “Os moradores das regiões mais carentes também estão sofrendo muito com o excesso de pedágios. Em Carapicuíba, a população não tem dinheiro para pagar tantos pedágios”, denunciou Carlos Eduardo Ventura Campos, representante da Central Única de Favelas.

O professor Narciso Favaro, integrante da Comissão de Orçamento Participativo de Taboão da Serra, também denunciou o excesso de pedágios na região e o impacto social do Rodoanel. “Ganhamos o Rodoanel e muitas praças de pedágio, mas nenhum novo leito hospitalar. A população é tão mal atendida na rede estadual de saúde que o Hospital Regional do Pirajuçara precisa urgentemente de uma nova direção”, reivindicou Narciso Favaro.

“Em dezembro, a população de Osasco e região ganha mais um presente do governo do Estado: um pedágio no quilômetro 18 da Rodovia Castelo Branco. Apesar dessas taxas, não há investimento em programas de saúde da mulher e falta efetivo policial”, denunciou Luis Baraúna, coordenador de Gênero e Raça da Prefeitura de Osasco.

Para o governo, o Rodoanel é sinônimo de integração, mas para a população é um problema por causa das praças de pedágio. Já há ameaça de fuga de empresas da região por causa do excesso de taxas”, disse o vereador Aluísio.

Assistência Social, segurança e moradia

Maria do Carmo da Silva Jesus, da Secretaria de Promoção Social de Carapicuíba, reivindicou a apresentação de uma emenda para a construção de um Centro de Referência Social em Carapicuíba. “Atendemos apenas 20 crianças, mas há pedido para o atendimento de 4 mil famílias. O orçamento do Estado de São Paulo para a assistência social a crianças, idosos e deficientes é vergonhoso”, disse Maria do Carmo.

Já o vice-prefeito de Carapicuíba Salim Reis denunciou que os PMs ganham salários menores em Itapevi, Carapicuíba e outros municípios do entorno de Osasco, onde as Prefeituras têm ainda que deslocar funcionários municipais para repartições estaduais.

Mas, em Osasco, a população também enfrenta problemas semelhantes. “Precisamos de investimentos para reformular a guarda municipal e melhorar os equipamentos da polícia”, explicou o vereador Rubens Bastos Nascimento.

A reclamação sobre a falta de investimentos do governo estadual atinge todas as áreas. Representante da Pastoral de Moradia de Taboão, Teresinha da Silva Januário reivindicou verbas para a construção de moradias populares para a população que ganha de 1 a 3 salários mínimos. “Há parcerias com o governo federal, mas são mais de 60 favelas e o Governo do Estado não está investindo a sua parte. Taboão precisa também de, pelo menos, mais duas delegacias, porque só existe uma e faltam equipamentos como viaturas, computadores e máquina de xerox”, explicou Teresinha da Silva.

Economia com a educação

A economia do governo estadual com áreas essenciais foi amplamente denunciada na audiência de Osasco. “O governo construiu uma Fatec na região, mas reservou apenas R$ 200,00 por ano para gastar com cada aluno. É impossível garantir qualidade com uma verba tão pequena”, disse a professora Denise Rykala, do Sinteps – Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza.

A falta de investimentos no serviço público também foi alvo de denúncia do Sindicato União do Poder Judiciário de Taboão da Serra. “Desde 1998, os funcionários do Poder Judiciário estão sem reposição salarial, sem férias e outros direitos trabalhistas”, denunciou o representante sindical Gilberto Moraes. Para denunciar estes e outros problemas, os funcionários do Poder Judiciário vão realizar uma manifestação na próxima sexta-feira (14/08) na Praça João Mendes.

Também sobraram reclamações contra a Sabesp, alvo de milionária campanha publicitária do Governo do Estado. “Osasco ainda tem esgoto a céu aberto, como no Bairro de Três Montanhas, e muito asfalto destruído pelas empresas terceirizadas contratadas pela Sabesp”, denunciou o vereador João Góis Neto, 2º vice-presidente da Câmara.

Representante da Associação de Amigos do Bairro Vila dos Remédios, Severino Ferreira dos Santos, contou que o bairro tem um grande terreno da Sabesp coberto de entulho e foco certeiro dos mosquitos da dengue. “Vila dos Remédios não tem área de lazer. Então formamos uma comissão para reivindicar orçamento para construir um parque para a população no local abandonado pela Sabesp”, reivindicou Severino Ferreira.

As próximas audiências públicas da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa serão realizadas nas Câmaras de São José do rio Preto e Catanduva na sexta-feira (14/08).

 

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