Pacientes têm que esperar anos para fazer cirurgias

11/10/2012

Em hospital estadual

Pacientes têm que esperar dois anos para fazer cirurgias em hospital estadual

O Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, tem atualmente de 2.473 pessoas em lista de espera para cirurgias. As operações de hérnia, otorrinolaringologia e ortopédicas são as mais concorridas e o pacientes são obrigados a esperar, em média, dois anos pelo procedimento.

Os dados constam em listagem disponível no site do hospital (www.hospitalmariocovas.org.br). A promessa era de que a relação tivesse sido publicada em agosto, mas a atualização do cadastro dos pacientes demorou dois meses mais para ser concluída. O acesso é feito pelo número de inscrição. A medida atende antiga reivindicação dos usuários, já que muitos não tinham previsão de quando seriam chamados ou sequer sabiam se ainda estavam na lista.

É uma vergonha

No caso da dona de casa Maria Trabaquim Santos, 66 anos, a espera por cirurgia de hérnia inguinal dura quase quatro anos. Isso porque a moradora de Santo André já esperava há dois anos pelo procedimento quando foi chamada em setembro de 2011 para refazer exames e novamente esperar em casa. “Isso é uma vergonha”, destaca.

A situação de Maria é semelhante a de aproximadamente 200 pessoas, que estão na fila para este tipo de cirurgia. São realizados em média 96 procedimentos deste tipo por ano.

Outro gargalo é a demanda por cirurgia de otorrinolaringologia. São cerca de 360 pacientes para 180 operações por ano. Com isso, o jovem Vinícius, de 8 anos, terá de aguentar as crises de amidalite por mais dois anos. A mãe, a dona de casa Elenice Maria dos Santos, 29, agendou o procedimento para que sejam removidas as amídalas do filho nesta semana.

A lista ainda conta com 300 pessoas na fila por cirurgia de cabeça e pescoço, 258 para cirurgia pediátrica e 224 para urológica. Além disso, 193 pessoas aguardam operação oftalmológica, 223 por cirurgia plástica, 115 vascular, 51 ginecologia, 240 para cirurgia geral, entre outros. Nestes casos, o tempo de espera tende a ser menor, tendo em vista que é realizada maior quantidade de operações por mês.

A dona de casa Maria Dantas, 72, já passou por cirurgia ortopédica, depois de aguardar por oito meses. Agora entrou na fila de espera novamente. A tentativa é resolver problemas de artrose.
Há pelo menos 200 pessoas que estão na listagem desde os anos 2008 e 2009.

Hospital trabalha no limite

Atualmente o hospital tem 42 leitos de UTI. Somados aos de internação, são 309 ativos e outros 25 que estão em reforma. Segundo a superintendência, o hospital trabalha no limite da capacidade. Não é raro procedimentos pré-agendados serem cancelados para atendimento de emergências.

A aposta do superintendente do hospital, Desiré Callegari, é na transformação do perfil assistencial do Hospital Mário Covas para aumentar a capacidade de cirurgias graves em até 20%. O número atual é de 600 mensais. A meta é escoar a demanda de procedimentos cirúrgicos de menor complexidade (hoje são feitos 400 por mês) e consultas ambulatoriais para os dois AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades), um em Santo André e outro em Mauá.

A expectativa é de que os atendimentos de urgência e emergência oferecidos pelos municípios aliviem a demanda no Mário Covas.

União enviará recursos

Para efetivar a mudança de perfil será preciso investir em reforma, aquisição de equipamentos e até ampliação de leitos. Parte da verba que irá promover a readequação do atendimento virá do QualiSUS, projeto do governo federal em parceria com o Banco Mundial.

Ao todo, a União enviará R$ 20,4 milhões à região, sendo que R$ 6,5 milhões serão destinados ao Hospital Mário Covas.

fonte: Diário do Grande ABC

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