Panes no Metrô e da CPTM não podem ser consideradas normais

09/10/2012

Omissão tucana

Hoje a pane foi na linha 2 – Verde do Metrô. Ontem foi na Linha 8 da CPTM. Amanhã, os milhares de usuários do sistema de transporte coletivo da capital já “têm certeza” que alguma pane irá acontecer para prejudicar a sua mobilidade dentro da Região Metropolitana. Estas ocorrências não podem passar a ser consideradas como “normais”, porque não o são. Têm causas, provocam consequências e é de responsabilidade do governo do Estado resolvê-las.

A CPTM já contabilizou mais de 100 panes este ano, segundo relatório da própria companhia. O Metrô também soma mais de uma centena de problemas.

Governo federal anunciou mais R$ 10 bi em recursos para SP

Com o anúncio do ministro da Economia, Guido Mantega, no último mês, da ampliação do limite fiscal do estado de São Paulo em R$ 10 bilhões para este ano, o governador Geraldo Alckmin não poderá mais usar como “desculpa” o Programa de Ajuste Fiscal para a paralisia nos investimentos em infraestrutura e o não cumprimento dos seguidos Planos Plurianuais (PPA) elaborados pelos seguidos governos tucanos em São Paulo há mais de vinte anos.

Essa falta de investimentos tem como resultado o “caos” na mobilidade urbana, principalmente nas regiões metropolitanas do Estado. A lenta retomada dos investimentos não é suficiente para suprir as deficiências acumuladas. Basta lembrar que a última linha estruturante do Metrô paulista inaugurada antes da linha 4 – Amarela (entregue parcialmente no final de 2011), foi a Linha 2 – Verde, ainda no início dos anos 90, na gestão Quércia. Partindo do princípio que uma linha de metrô leva oito anos para ser feita, então a cidade de São Paulo deveria ter, pelo menos, sete linhas nos dias de hoje.

De 1999 a 2011, o Estado deixou de investir R$ 10,34 bilhões no Metrô. O governo tucano tem que cumprir as metas de investimentos projetadas no PPA e nos orçamentos anuais do Estado.

O ciclo das panes, apontado por especialistas

. Lotação. A origem das falhas é o excesso de gente buscando um serviço incapaz de atender todo mundo com conforto. Em 2011, o Metrô carregou uma média de 2,7 milhões de pessoas por dia e a CPTM, 2,3 milhões. Foram colocados mais trens para circular nas linhas existentes. Segundo o governo, de 2010 para cá, foram 33 para o Metrô e 72 para a CPTM. Só que isso trouxe novos problemas. É preciso mais linhas.

. Pouca energia. Os sistemas instalados nas linhas já existentes passaram a ser usados por mais trens. E a fonte de energia do transporte, a eletricidade, passou a ser compartilhada por mais composições. “Puxa-se mais energia”, explica o professor de Engenharia de Transportes da FEI Creso de Franco Peixoto. “Mas tem linhas que não estão dando conta”, completa o consultor Horácio Augusto Figueira. A sobrecarga facilita a ocorrência de falhas elétricas, o que está acontecendo principalmente na Linha 9-Esmeralda da CPTM.

. Idade. A falta de sintonia entre trens e sistemas fica mais grave porque a CPTM usa um leito ferroviário que tem mais de 100 anos de idade – parte é do século 19 -, diferentemente do Metrô. Por isso, grande parte dos investimentos nas linhas já existentes é canalizada para troca de transformadores elétricos, rede de transmissão de energia, postes e até dormentes dos trilhos.

. Pouco tempo para reformas. “O tempo útil que eles (CPTM) têm para fazer obras é de apenas 2h diárias”, diz o professor Telmo Porto. Isso porque os trens funcionam das 4h à meia-noite todo dia. “Até entrar na via e sair, são 2h perdidas por dia.” Esse entra e sai diário também pode facilitar a ocorrência de panes durante a operação, segundo especialistas. É que uma série de sistemas precisa ser ligada e desligada a cada serviço simples, como troca de um poste.

. Atrasos em obras. O pouco tempo para executar obras de melhoria arrasta o fim dos serviços e, assim, prolonga o problema. Dos 11 contratos de manutenção assinados pela CPTM desde 2008, oito tiveram de ser prorrogados. Segundo a companhia, por falta de tempo.

. Rede pequena. É o problema mais difícil: uma linha de metrô ou trem leva, em média, oito anos para ficar pronta. O tamanho da rede metro-ferroviária também potencializa panes. Se um trecho está parado, há poucos pontos de baldeação para que usuários mudem de trajeto e evitem passar pela linha com falha, como ocorre em outras cidades do mundo. “E a rede de ônibus tem velocidade média de 15 km/h. É como se estivesse em constante pane”, diz o consultor Horário Figueira.

*com informações do PT Alesp e jornal O Estado de S. Paulo

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