Para compensar árvores derrubadas, governo pode despejar famílias

03/09/2009 14:37:00

Várzeas do Tietê

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A iniciativa dos deputados Adriano Diogo e Simão Pedro de realizar audiência pública na Assembleia Legislativa sobre as ameaças de despejos causadas pelo Parque Várzeas do Tietê foi “encampada por toda a Bancada do PT para defender a construção de conjuntos habitacionais, creches, escolas e postos de saúde para a população que reside às margens do Rio”, segundo o líder da Bancada, deputado Rui Falcão.

Dados preliminares apontam que, para a implantação do Parque, serão removidas, 3.900 casas dos municípios de São Paulo e Guarulhos, o que pode afetar cerca de 5 mil famílias. O projeto para implantação do Várzeas do Tietê ainda não chegou à Assembleia.

Para evitar os despejos, estiveram na audiência realizada no Auditório Franco Montoro, na última quinta-feira (03/09), parlamentares da oposição e lideranças comunitárias de bairros do extremo da zona leste, que podem ser afetados por despejos e remoções durante o projeto de implantação do Parque Várzeas do Tietê. Os participantes defenderam a instalação do Parque, mas reivindicaram o direito constitucional à moradia.

Além de Adriano Diogo e Rui Falcão, a Bancada do PT foi representada pelos deputados Marcos Martins, Fausto Figueira e Donisete Braga e por representantes dos mandatos de Maria Lúcia Prandi e José Cândido.

Anunciada pelo governador como o maior parque linear do mundo, Várzeas do Tietê foi projetado, na realidade, como uma compensação ambiental pelas 1.700 árvores arrancadas da Marginal do Tietê durante as obras de expansão.

“A derrubada de árvores, que aconteceu também nas obras do Rodoanel e da Jacu-Pêssego, exige uma compensação”, justificou durante a audiência o gerente ambiental da Dersa (empresa responsável pelas obras na Marginal), Daniel Antonio Salati Marcondes.

Mas, para a população que sofre com as ameaças de despejo e para os deputados do PT, a moradia é a questão central. “A moradia da população da periferia não poder ser tratada da forma que o Governo do Estado está tratando a população da zona leste”, disse o deputado Adriano Diogo.

“Não vamos aceitar que removam famílias sem oferecer condições dignas de habitação”, disse o deputado Marcos Martins. Para o deputado Donisete Braga, “além da falta de polícia habitacional, o governo erra também na falta de diálogo e de debate com a população afetada pelo projeto do Parque.”.

Exclusão dos pobres

 “Os tucanos têm horror da pobreza. Eles querem retirar moradores da Serra do Mar e do entorno do Parque que será instalado à beira do Rio Tietê”, completou o deputado Fausto Figueira, que lembrou que grandes empresas como Gerdau, Bauduco e Impala, instaladas na região, não enfrentam ameaça de remoção e despejo que atinge a população carente.

Moradores da Vila Aymoré, Jardim Helena, Vila Itaim, Jardim São Francisco, Jardim Vera Lúcia, Vila Mara, Pedro Guedes, Jardim Pantanal, Jardim Piratininga, todos na zona leste, no entorno do projeto do Parque Várzeas do Tietê, confirmaram a denúncia dos deputados.

Migrante nordestino como a maioria dos moradores da região, o feirante Adilson Ferro da Silva estava na plateia da audiência para protestar e evitar que uma tragédia que a população da região já enfrentou em outros governos aconteça novamente. “Quando foram construir a Rodovia dos Trabalhadores muita gente da zona leste ficou desabrigada”, contou.

O assessor do deputado Federal Paulo Teixeira, conhecido como Zezão da Vila Mara na zona leste da capital, convocou toda a população da região para duas plenárias que serão realizadas na região no dia 19 de setembro (sábado), a partir das 9h30: na EE Flávio Augusto Rosa e na Igreja Santa Rosa de Lima. Representantes da União dos Movimentos de Moradia e da Central de Movimentos Populares anunciaram que vão apoiar a mobilização.

Para o vereador Beto Custódio, os movimentos sociais estão retomando a sua força. “O Governo usou tanta polícia contra os moradores da Favela Heliópolis que estavam apenas protestando contra a violência. É um sinal que temos que reagir contra as injustiças”, disse o vereador, em referência ao recente protestos dos moradores de Heliópolis contra a violência policial.

 

 

 

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