Parque em São Paulo sofre crime ambiental

13/12/2013

Má gestão tucana

Foram abertas ruas em áreas de florestas no Parque Ecológico do Estado, que fica na divisa dos municípios de São Paulo e Guarulhos

Crimes ambientais estão sendo praticados no Parque Ecológico do Estado, localizado na divisa dos municípios de São Paulo e Guarulhos, segundo denúncia encaminhada à Promotoria do Meio Ambiente do MP paulista e à Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa.

O Parque Ecológico é um dos maiores parques urbanos da América Latina. É área de proteção permanente e de proteção ambiental, com 14 milhões de metros quadrados. Um dos autores da denúncia é o arquiteto José Carlos Vieira Henrique. Funcionário de carreira no Estado, ele trabalhava no parque e diz ter sido afastado por não concordar com a destruição de parte da floresta e por denunciar “práticas ilegais”. Segundo Henrique, foram abertas ruas em áreas de florestas do parque.

O objetivo da intervenção era a construção de aceiros (interrupção da mata para evitar propagação de fogo). Foram afetados o Bosque dos Municípios, o Bosque da Diversidade e o Bosque Brasil-Japão, áreas com cerca de 100 mil árvores. As ruas, segundo Henrique, trazem prejuízos para o parque por causa da criação de lagos temporários que destroem parte das árvores.

Outro problema é a criação de jardins para a instalação de paineis publicitários numa área de dois quilômetros, próxima da rodovia Ayrton Senna. Foram deixados ali, de acordo com o arquiteto, “três mil caminhões de terra”. A área foi aterrada para elevar os jardins. “Se você aterra a várzea, reduz o lago de acumulação do rio e vai levar, mais à frente nas avenidas marginais, um grande volume de água. Isso causa as enchentes”, afirma Henrique.

DAEE contesta arquiteto

O Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (DAEE), responsável pela administração do Parque Ecológico, disse, em nota, que os aceiros estão sendo restaurados e existem “exatamente para proteger a mata do parque de eventuais incêndios”. Sobre os lagos temporários, “a mata em questão está cheio deles, pois trata-se de uma área de várzea, cuja função é a de armazenar as águas das chuvas”, explica o órgão. Quanto ao local de instalação de paineis, o DAEE afirma que “a terra mencionada será aproveitada para a formação de jardins, na tentativa de intimidar o descarte de lixo”. O autor da denúncia foi afastado “porque não trabalhava”, segundo a assessoria do órgão.

fonte: Brasil Econômico

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