Petista pede que MP apure responsabilidade do Estado na epidemia que atingiu a Baixada Santista

19/03/2010 15:58:00

Dengue

 

O deputado Fausto Figueira encaminhou representação ao Ministério Público Estadual pedindo que sejam apuradas eventuais responsabilidades pela omissão do Estado na epidemia de dengue que atinge os municípios da Baixada Santista.

“O quadro de epidemia já foi decretado pela Prefeitura do Guarujá. A Prefeitura de Praia Grande instalou tendas para atendimento mais rápido dos pacientes e a cidade de São Vicente admite a epidemia”, diz o deputado na sua representação.

Para Fausto Figueira, o fato de a Secretaria de Estado da Saúde relutar em admitir a epidemia gera riscos para a população, “uma vez que o enfrentamento dessa doença, com as características graves que está assumindo na Baixada Santista, não vem sendo realizado da maneira mais adequada.”.

Médico e presidente da Comissão de Saúde e Higiene da Assembleia Legislativa, Fausto encaminhou a denúncia aos promotores de Justiça Clever Rodolfo Carvalho Vasconcelos e Eduardo Antonio Taves Romero.

O parlamentar enumera uma série de argumentos para justificar o pedido de apuração: “Segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica, no período de 1997 a2009, a Baixada Santista teve confirmados 83.109 casos de dengue, sendo que 37.674 casos corresponderam à cidade de Santos. Mas os epidemiologistas estimam que, para cada caso confirmado, existem outros dez pacientes infectados e que tiveram casos subclínicos ou assintomáticos”.

E acrescenta: “Isso permite afirmar que, no período de 1997 a 2009, o número de infectados em Santos seria de 376.740.”. Figueira argumenta que “quase 90% dos habitantes da cidade de Santos já tiveram contato direto com a doença e que aproximadamente 50% da população total da Região Metropolitana da Baixada Santista foram infectados até 2009”.

O deputado menciona dados divulgados pela imprensa que apontam que existem hoje na região mais de dois mil casos de pacientes infectados pela dengue, sendo que 17 pacientes já morreram em 2010.

Reportagem do Jornal da Tarde de 15 de março aponta a Baixada Santista como região exportadora da doença. Segundo o JT, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo aponta que “dos 279 casos de dengue importados, 172 são de dentro do Estado, sendo 105 do Guarujá e da Praia Grande, onde existem epidemias da doença”.

Na mesma reportagem, a coordenadora do Programa Municipal de Vigilância e Controle da Dengue na Cidade de São Paulo, Bronislawa de Castro, afirmou que “uma epidemia na Baixada Santista é bastante relevante, pois o morador costuma ir à praia com frequência, principalmente nessa época do ano”.

Risco de hemorrágica

Figueira destaca que o “quadro se torna ainda mais complexo quando pensamos em um segundo surto da dengue, que inevitavelmente leva ao aparecimento de casos de dengue hemorrágica”. O médico parlamentar explica que a reincidência eleva de 0,5% para 5% a evolução para quadros graves.

“O escamoteamento de uma epidemia que existe de fato é o primeiro passo para um desastre, como a história já demonstrou. Quando vivíamos sob a ditadura militar, a proibição da divulgação da epidemia de meningite meningocócica teve resultados nefastos com a morte de muitos brasileiros”, diz o deputado em sua denúncia.

“As autoridades de saúde do Estado de São Paulo, ao negarem as evidências de uma grave epidemia de dengue e de dengue hemorrágica, proporcionam riscos imediatos para a população paulista, na medida em que recursos não são corretamente mobilizados, tratamentos eletivos e de rotina não são suspensos para que se priorize o atendimento das vítimas da epidemia e condutas como a hidratação não são tomadas, interferindo negativamente no prognóstico dos pacientes”, conclui o parlamentar.

 

 

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