Plenária marcou Dia Nacional da Luta Antimanicomial

19/05/2011 15:14:00

Saúde

 

Cerca de 200 pessoas participaram de Plenária na Assembleia Legislativa de São Paulo organizada pelos deputados petistas Hamilton Pereira e Carlos GranaUma Plenária organizada pelos deputados estaduais petistas Hamilton Pereira e Carlos Grana, reuniu, na última quarta-feira (18/5), cerca de 200 militantes da Luta Antimanicomial na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O Ato marcou o Dia Nacional de Luta Antimanicomial e contou com a participação de sete deputados estaduais. Os ativistas da causa chegaram à rampa principal da Assembleia Legislativa portando faixas e um boneco do “Bispo do Rosário”, artista plástico de renome internacional, que virou símbolo da luta por ter ficado durante um ano internado em um hospital psiquiátrico.Sob a coordenação do psicólogo Lúcio Costa, membro do FLAMAS (Fórum de Luta Antimanicomial de Sorocaba), a abertura do evento foi marcada pela apresentação de dados colhidos pelo pesquisador da UFSCAR, Marcos Garcia, de que em quatro anos, ocorreram 459 mortes nos hospitais psiquiátricos da região.

Indignação com o fato foi manifestada pelo deputado Hamilton Pereira. “Manicômios são vergonha para o Estado de São Paulo”, afirmou. O parlamentar também afirmou que o ato marca o início de uma nova relação do parlamento paulista com o movimento.Carlos Grana reafirmou a importância da manifestação, pois isso reforça a luta, e colocou à disposição suas possibilidades de agregar forças. Disse ainda que, apesar de a Bancada do PT ser minoria na Casa, ele aproveitará o tempo na tribuna do Plenário para denunciar e cobrar das autoridades as responsabilidades para com quem recebe tratamento de saúde mental.

O movimento defende que o atendimento a pessoas portadoras de transtornos mentais seja prestado em CAPS (Centros de Atendimento Psicossocial) e em Residências Terapêuticas, sem que haja o isolamento da vida em sociedade. Um levantamento feito pelo FLAMAS junto ao Ministério da Saúde apontou que R$39 milhões são repassados para os sete hospitais psiquiátricos da região de Sorocaba.

Várias pessoas, egressas de manicômios, deram seu testemunho do tratamento desumano e monstruoso que receberam. Levantamento feito pelo Fórum de Luta Antimanicomial revelou dado preocupante que corrobora essas manifestações: a idade média dos pacientes que morreram nos hospitais psiquiátricos do Estado, precisamente em hospitais da região de Sorocaba, é de 49 anos.Representando o Conselho Federal de Psicologia, Adriana Eiko salientou a busca que esse órgão vem fazendo, ao longo do tempo junto à sociedade e movimentos sociais, na procura de soluções para o fim dos manicômios, das diferenças e a luta contínua pela reforma da psiquiatria. Para o conselho, afirmou Adriana, a rede psicossocial é objeto de muita atenção, sendo que “o importante é ter liberdade e não razão”.

Já o secretário executivo do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, Aristeu Silva, disse que toda vez que os direitos de uma pessoa são violados, todas as outras também os têm violados. “Precisamos estar atentos quando a saúde mental vira mercado e o sofrimento das pessoas transforma-se em poupança de alguns”, observou.

A manifestação comemora, este ano, os 24 anos do primeiro ato de questionamento da sociedade quanto ao tratamento dado às pessoas no que concerne à saúde mental. A manifestação teve o objetivo de conscientizar a sociedade de que os usuários do serviço de saúde mental devem ser respeitados como seres humanos e como cidadãos.

Além de Hamilton Pereira e Carlos Grana, também passaram pelo encontro os deputados petistas João Paulo Rillo, Marcos Martins, José Candido, Adriano Diogo e, do PSOL, Carlos Giannazi. Os manifestantes presentes vieram, em sua maioria, das regiões de Sorocaba, Itapeva e São Bernardo Campo. Manifestações artísticas também ocorreram durante o envento, com palhaços portando réplicas de máquinas de eletrochoque e de “comprimidos antimanicomiais”.

 

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