PM de Serra: em 20 dias, cinco confrontos com populares

21/01/2010 12:40:00

Violência policial

 

Os primeiros alvos da tropa neste ano foram usuários de ônibus que se atreveram a protestar contra o aumento das passagens autorizado pelo Governo Kassab; depois, a repressão se abateu sobre populares que ousaram fechar avenidas em protesto contra freqüentes alagamentos; na noite de terça-feira chegou a vez de moradores de um bairro alagado; e, no fim da tarde de ontem, os policiais foram acionados para acabar com mais uma manifestação contra enchentes, na zona sul paulistana, onde mais de 200 pessoas bloquearam uma rua incendiando um ônibus. Enfim, em 20 dias de 2010, no mínimo cinco vezes a Polícia Militar do Estado de São Paulo foi usada para irromper nas ruas e usando suas armas contra cidadãos insatisfeitos e/ou revoltados. Reprimidos os moradores, seguem os alagamentos. Na noite passada, pelo menos três córregos transbordaram inundando ruas e moradias de duas regiões de São Paulo.

O confronto mais longo, o de terça-feira à noite (19/1), teve por cenário as ruas inundadas de Cidade Dutra, na zona sul, onde um grupo de moradores bloqueou uma avenida para protestar. Foi uma batalha de cinco horas em que os PMs jogaram bombas de efeito moral e dispararam tiros com munição de borracha contra os revoltados, que recorreram a fogos de artifício e bombas de fabricação caseira, segundo relato de reportagem veiculada pelo Jornal da Globo.

Essa operação repressiva foi antecedida, em alguns dias, pelo uso de violência contra participantes de dois protestos por inundações de ruas da zona leste da capital paulista. E pela repressão, com gás pimenta, cacetetes e bombas de efeito moral, ao grupo que pretendeu se queixar do aumento das passagens de ônibus. Nesse confronto, três manifestantes foram presos e vários ficaram feridos.

Há antecedentes. No ano passado, o governador José Serra (PSDB) e a reitora da Universidade de São Paulo, Suely Vilela, reprimiram manifestação de professores que estavam em greve.  A tropa de choque invadiu o campus universitário para acabar com a passeata que os grevistas realizavam. Os incidentes duraram mais de uma hora e terminaram com o saldo de três detidos e vários feridos por bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e gás pimenta.

Também no ano passado, a PM foi usada na favela do Paraisópolis, uma das maiores de São Paulo, quando moradores se revoltaram pela morte de um vizinhio, assassinado por PMS. Montaram barricadas, destruíram e atearam fogo em diversos veículos e pedaços de madeira e depredaram estabelecimentos. Quando a Polícia Militar chegou para controlar a manifestação, houve confronto. Quatro pessoas ficaram feridas e nove foram detidas, incluindo menores.  Já na favela do Heliópolis, também na zona sul paulistana, moradores se rebelaram contra a morte da jovem Ana Cristina, de 17 anos, atingida pela guarda civil de São Caetano, e foram reprimidos violentamente pela PM.

fonte: Brasília Confidencial – 21/1/2010

 

 

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