Política de redução de violência lançada por Alckmin não tem metas definidas

23/05/2013

Má gestão

Medidas fortalecem Polícia Civil. Geraldo Alckmin afirmou que policiais que reduzirem crimes vão ganhar bônus de até R$ 10 mil

As metas que serão estabelecidas para o programa lançado pelo governo do Estado, denominado São Paulo contra o Crime, para diminuir os índices de criminalidade, ainda estão longe de ser colocadas em prática. Apenas serão definidas depois de um estudo para diagnosticar as necessidades e objetivos do estado, assim como os esforços necessários para chegar às metas. Os valores das bonificações que serão dadas aos policiais que conseguirem atingir as metas também não foram definidos. O estudo será feito pelo Instituto Sou da Paz, com quem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, firmou convênio de 18 meses para a elaboração de programa.

As ações vão se concentrar mais na reestruturação de departamentos de investigação, com a abertura de concurso público para a contratação de 2.800 funcionários para a Polícia Civil e mais 1.865 para a Polícia Científica.

No âmbito da Polícia Militar, a promessa é que policiais que conseguirem diminuir a violência em sua área de atuação recebam bônus, que segundo o governador, podem variar de R$ 4 mil a R$ 10 mil.

“No curto prazo”, segundo a Secretaria de Segurança Pública, está prevista a apresentação de um diagnóstico sobre as áreas mais sensíveis da capital, onde há grande número de ocorrências criminais. Esse diagnóstico não se resumiria à identificação dos locais e também engrobaria o levantamento das razões que tornam tais locais, de maneira mais rotineira, cenários de crimes.

O diagnóstico vai se concentrar em cinco crimes: homicídio, latrocínio, roubo, roubo de veículo e furto de veículos, pois têm maior impacto sobre a população. “Isso não quer dizer que outros crimes, como o tráfico de drogas não sejam importantes”, explica secretário Fernando Grella. “Pelo contrário: esses crimes muitas vezes servem para alimentar o tráfico.”

Além disso, o secretário e o governador anunciaram que será aberta uma licitação internacional para contratar um sistema de informática que permitirá a integração dos bancos de dados das polícias Civil e Militar e dotá-los de ferramentas de inteligência para um planejamento estratégico mais eficiente.

Para o superintendente executivo do Instituto São Paulo contra a Violência, José Roberto Bellintani, o pagamento do bônus pode ser um bom estímulo para os policiais e para a luta contra a violência no estado. “Profissionais motivados rendem mais em qualquer ramo de atividade. A polícia mais ainda porque tem uma atividade estressante”, disse.

No entanto, Bellintani destacou que para que o pagamento de bônus por mérito seja de fato positivo e não crie falsas notificações de mérito ou de ocorrências pelos policiais. “O importante é que os critérios sejam muito bem definidos e, se possível, na criação dessas regras, que se estimule o trabalho em equipe e de cooperação entre as polícias”, disse.

Segundo o ativista, o pagamento de bônus aos policiais não pode vir desvinculado de uma série de medidas para a contenção da violência em São Paulo. Uma delas, destacou Bellintani, é a de promover maior participação do cidadão nesse problema. “Só a polícia não dá conta. O estímulo que precisa ser feito é o estímulo ao cidadão, que pode participar por meio de canais como o Disque Denúncia 181, que não custa nada ao estado. Polícia, mesmo estimulada, não resolve casos se não tiver informação”, ressaltou. Outros fatores seriam também a preparação e a formação dos policiais e a melhoria e disponibilidade dos equipamentos de segurança.


*fonte Rede Brasil Atual, com informações da Agência Brasil

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