Pornografia, violência e receita de bomba nas salas de aula paulistas

28/05/2009 16:43:00

Livros didáticos

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Uma nova série de denúncias referentes ao material didático distribuído pelo governo do Estado de São Paulo é notícia em todo o País mais uma vez. A Secretaria da Educação enviou para alunos da 3ª série, com idade média de 9 anos, o livro “Poesia do Dia – Poetas de Hoje Para Leitores de Agora”, inadequado para menores de 13 anos.

Já os estudantes da 6ª série receberam o livro “Memórias Inventadas”, que tem poesias com conotação sexual e palavrões. No ensino médio, um livro de física traz atividade que utiliza chumbinho, a munição para arma de ar comprimido,

Os dois primeiros livros fazem parte do programa de incentivo à leitura e alfabetização, que teve uma cartilha em quadrinhos recolhida recentemente, também por conteúdo obsceno.

“É um constrangimento. São erros consecutivos, os educadores não são valorizados, as crianças não conseguem interpretar textos e o governo ainda distribui estes materiais”, disse o deputado Donisete Braga em plenário. Já Vanderlei Siraque declamou versos do poema mais criticado do livro que foi enviado para a 3ª série, “Manual de Auto-Ajuda Para Super-Vilões, do escritor Joca Reiners Terron.  “Nunca ame ninguém. Estupre… Odeie. Assim por esporte.”. “É estarrecedor, não apenas o conteúdo inadequado para crianças como a forma como o dinheiro público está sendo usado”, disse Siraque.

Em entrevista aos jornais Folha de SPaulo e Agora, o autor dos versos se defende: “Não é para crianças de 9 anos. Espero que o Serra não ache o texto um horror, como ele disse de um outro livro. Horror é quem escolhe essas obras para crianças”, disse Terron.

Mães denunciam

Apesar de o secretário da Educação, Paulo Renato de Souza, declarar que os livros foram recolhidos antes de chegar aos alunos, foram algumas mães de estudantes que encaminharam à imprensa exemplares da coletânea de contos do poeta Manoel de Barros, “Memórias Inventadas”, distribuído para a 6ª série, mas com conteúdo inadequado para a faixa etária entre 11 e 12 anos, por conter versos eróticos e palavrões.

 “Estamos vendo a tragédia do caminho proposto à educação no Estado de São Paulo. O governo está induzindo crianças à adoção de atitudes absolutamente condenáveis, com a distribuição de materiais inadequados à formação e aprendizagem”, indignou-se o deputado Antonio Mentor.

“O governador disse que ia mandar recolher tudo e que estava investigando quem foi responsável pela compra. Isso tudo é feito com dinheiro público: a compra, a distribuição e o trabalho de recolher. Sem contar o pior, mais difícil de medir: o dano que um texto inapropriado pode provocar na cabecinha de uma criança”, disse o repórter do SPTV 1ª edição, na TV Globo, ao apresentar os livros inadequados distribuídos na rede estadual.

Para o deputado Roberto Felício, a recusa do governo em ouvir os professores tem induzido aos erros. “Se convocasse um grupo de professores de geografia para avaliar os livros adotados para a disciplina, por exemplo, o governo teria ‘evitado’ o livro que trouxe dois Paraguais”, disse Felício.

Experiência perigosa!

A deputada Maria Lúcia Prandi, presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, recebeu com espanto o Caderno do Aluno da disciplina de Física, que os estudantes estão recebendo, com atraso, para utilização nas aulas do bimestre maio/junho.

O livro é aberto com uma sugestão de atividade que utiliza chumbinho, a munição para arma de ar comprimido, e um tubo de PVC. Um grupo de professores procurou a parlamentar relatando reações que a proposta de experimentação já suscitou. Segundo os educadores, de imediato alguns alunos relacionaram o material à produção de arma.

“Chegaram a explicar como poderia ser feita a arma, usando uma bexiga acoplada ao tubo. Outro perguntou se servia chumbinho de rato. Outro, ainda, disse que poderia conseguir chumbinho no Exército. Alguns falaram em guerra de chumbinho”, comenta a deputada Prandi, e reage: “Este é a consequência do absurdo descuido na elaboração do material didático. Que escola é esta que o Governo Serra quer impor?”, enfatiza.

O Caderno do Aluno foi lançado pelo Governo do Estado como uma ‘novidade pedagógica’ introduzida para ‘modificar as estruturas de aprendizagem da rede estadual’, segundo divulgação feita pela Secretaria de Educação, em fevereiro. O Caderno é um material “elaborado cuidadosamente para oferecer ao aluno mais uma fonte de pesquisa e aprendizado”, ainda segundo foi anunciado.

O Caderno vem “assinado” pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), pela Secretaria da Educação e pelo Governo de São Paulo. O verso da capa traz o nome do governador José Serra, da ex-secretária Maria Helena Guimarães de Castro e outros nomes ligados à Secretaria da Educação. “Mais parece algo criado para divulgar o nome do governador e de seu staff“, critica a deputada Prandi.

 

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