Previsão de verão seco acaba com única aposta de Alckmin

12/08/2014

Falta de água

Aposta do governo do Estado para atenuar a crise de falta de água em São Paulo, a próxima temporada de verão deverá ter menos chuva do que a média histórica, segundo meteorologistas.

Um estudo da Climatempo estima que, entre outubro deste ano e março de 2015, as precipitações no sistema Cantareira, que enfrenta uma estiagem inédita, poderão ser até 20% inferiores ao volume dos últimos dois anos.

A meteorologista Maria Clara Sassaki, da Somar Meteorologia, também projeta um verão mais seco do que em condições normais -além do agravante de chuvas mal distribuídas nesse período.

Essas previsões agravam a ameaça de esvaziamento das represas ao mesmo tempo em que a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) tem descartado a possibilidade de racionamento.

O Cantareira abastece 8,8 milhões de moradores na Grande São Paulo e estava nesta segunda-feira (11) com somente 13,8% de sua capacidade -já incluindo a água do “volume morto” (do fundo das represas), que começou a ser usado em maio.

Cenário críticos

Pelo estudo da Climatempo, a quantidade de chuva esperada deixaria esse reservatório com só 12% de sua capacidade no fim de março do ano que vem, quando começa a estiagem de inverno.

Trata-se de patamar inferior ao registrado em 31 de março deste ano, quando ele estava com 13,4% do total.

Questionada, a Sabesp (companhia estadual de abastecimento) diz que “garante o abastecimento de água na Grande São Paulo até março de 2015, quando o período de chuvas já deve ter resgatado boa parte dos reservatórios da região”.

A empresa paulista afirma que “esse cálculo é feito levando-se em conta os cenários mais críticos” e que ela trabalha “com dados estatísticos do que foi registrado no passado”, “e não com previsão ou probabilidades”.

A Climatempo diz considerar a base de dados meteorológicos dos últimos anos e a média de consumo do morador atendido pelo manancial.

Segundo a meteorologista Bianca Lobo, deverá chover em torno de 1.000 mm entre outubro e março, abaixo da média histórica de 1.300 mm.

“Pode chover muito em um dia e nada em outros. O ideal para recuperar os reservatórios seria uma chuva constante, mais bem distribuída ao longo da temporada, algo que pode não ocorrer”, diz a meteorologista Maria Clara Sassaki, da empresa Somar.

O climatologista do CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Paulo Nobre preferiu não fazer uma projeção para a próxima temporada, mas diz que os índices pluviométricos têm caído em São Paulo ao longo dos últimos 40 anos.

Em pelo menos outras três oportunidades algo parecido aconteceu na região – 2004, 2001 e em 1997. De acordo com o pesquisador, ainda é prematuro entender o que ocorreu neste verão.

“O que aconteceu em 2014 foi uma situação peculiar. Prevaleceu sobre o sudeste um tipo de circulação atmosférica que geralmente ocorre agora no inverno. Mas, ainda é cedo entender o motivo deste fenômeno”, afirmou.

As chuvas devem começar a atingir o manancial Cantareira, segundo estudos do Climatempo, na segunda metade do mês de setembro. O nível do reservatório, no entanto, só deverá subir em meados de outubro ou no começo de novembro.

Fonte: jornal Folha de S. Paulo

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