PT e movimentos sociais criticam ação eleitoreira contra trabalhadores sem-terra

29/01/2010 14:59:00

Arbitrariedade

 

A Polícia Civil é acusada de ter agido com objetivos políticos e eleitorais no episódio da detenção de líderes do Movimento dos Sem-Terra, o MST, na última terça-feira, 26 de janeiro, nos municípios paulistas de Iaras e Borebi.

Coordenador da Frente Parlamentar Pela Reforma Agrária, o deputado Simão Pedro, denuncia que a ação policial que resultou em nove prisões foi acompanhada por um repórter da retransmissora local da TV Globo. Entre os detidos estão a vereadora petista Rosemeire de Almeida Serpa e o presidente do PT de Iaras, Xavier Edilson Granjeiro, que foi o candidato do Partido à Prefeitura.

Os detidos são acusados de participar, no ano passado, da destruição de um laranjal de uma fazenda da Empresa Cutrale, que ocupa um terreno que pertence ao INCRA. “O PT é contra a depredação, apesar de a fazenda da Cutrale estar em uma área pública. Mas, a prisão dos suspeitos foi armada de forma sensacionalista com equipe de TV, para vincular o Partido dos Trabalhadores ao episódio”, disse o deputado Simão Pedro que, juntamente com o deputado José Cândido, tem questionado a Justiça e Secretarias Estaduais sobre a arbitrariedade da ação.

Dos nove detidos, sete permanecem presos em diferentes municípios, com o direito de defesa reduzido, já que os advogados estão enfrentando dificuldades para ter acesso aos documentos referentes à detenção.

Durante a prisão, os policiais apreenderam fertilizantes,  ferramentas e outros utensílios agrícolas dos trabalhadores, o que demonstra, na opinião do deputado Simão Pedro, a intenção de acusar os detidos de furto à fazenda da Cutrale.

O senador Eduardo Suplicy e o coordenador nacional da área de movimentos sociais do PT, ex-deputado Renato Simões, também cobram informações sobre o episódio, já que os detidos são réus primários, têm endereço fixo, atividade profissional e, portanto, “estavam à disposição da Justiça”.

“O episódio mostra o que pode ser a política de José Serra em relação aos movimentos sociais, caso seja eleito presidente”, disse o deputado Simão Pedro. Representantes da Comissão Pastoral da Terra também denunciam que a operação faz parte de uma ofensiva para criminalizar os movimentos sociais.

Participantes do Fórum Social Mundial, que acontece em Porto Alegre, também realizaram uma manifestação contra a ação policial.

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