PT homenageia Apolonio de Carvalho

02/04/2012

Sessão Solene

A memória e as lutas de Apolonio de Carvalho foram relembradas nesta segunda-feira, 2/4, na Assembleia Legislativa, em sessão solene proposta pelos deputados Rui Falcão, Adriano Diogo e Simão Pedro, do PT, para comemorar o centenário de nascimento do dirigente.

Falcão lembrou a presença do histórico dirigente, nos anos 1960, durante o processo de organização do 6º Congresso do Partido Comunista Brasileiro. A esquerda seguiu então caminhos diferentes e uma parte dela, segundo Falcão, se reencontrou depois no Partido dos Trabalhadores, onde Apolonio assinou a ficha de inscrição de número 1.

O importância de Apolonio no PT também foi apontada pelo ex-ministro José Dirceu. “”Viajamos juntos por diversos Estados, na época de formação do PT. Ele sempre falava sobre a necessidade de o partido fazer alianças com a sociedade, reunindo interesses nacionais, e também alianças políticas, visando a capacidade de gestão”, afirmou. Para o senador Eduardo Suplicy, o legado de Apolonio foi a indicação do melhor caminho para a superação de divergências.

Solidariedade internacional

A atuação de Apolonio de Carvalho além dos limites do território nacional foi destacada por Simão Pedro e pelo deputado federal Paulo Teixeira. “”Ele foi um exemplo de militante e de solidariedade internacional, um entusiasta da transformação da sociedade””, observou Simão. “”Era um cidadão do mundo, e para ele nunca foi um peso lutar pelos ideais de brasileiros, espanhóis e franceses””, acrescentou Teixeira. O representante de São Paulo na Câmara dos Deputados considerou ainda uma homenagem ao dirigente o trabalho a ser feito pela Comissão da Verdade, órgão criado em âmbito federal e no Estado de São Paulo para esclarecer episódios ocorridos durante o período da ditadura militar no Brasil.

“Se Apolonio estivesse vivo, estaria nos orientando a fazer a Comissão da Verdade com grandeza, como um momento maior da nossa nacionalidade””, reforçou Adriano Diogo, ressaltando que existem atualmente cerca de 70 mil processos abertos na Comissão Nacional de Anistia. “”Que nossos desaparecidos possam ter uma sepultura digna, que a história seja contada e os bárbaros crimes cometidos sejam identificados””, acrescentou.

O ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, foi auxiliar de Apolonio na elaboração de documentos sobre a relação do PT com grupos de esquerda. “”A palavra ‘novo’ aparecia mais de 50 vezes em cada texto””, lembrou. Ele também associou o fato de Apolonio ser “um revolucionário de vida inteira” ao recente enfrentamento entre jovens apoiadores da Comissão da Verdade e militares que comemoravam o aniversário do movimento de 1964 no Clube Militar, no Rio de Janeiro. “”Este clube se transformou numa trincheira de defesa de torturadores que não podem ser confundidos com o Exército brasileiro””.

Emocionada, a viúva de Apolonio, Reneé France de Carvalho, agradeceu as homenagens, oportunas “neste momento em que ressurge um movimento de protesto tão justo”. Ao seu lado, o filho Raul disse que o pai viveu coerentemente com seu ideal político. “”Ele se entusiasmava muito com seu papel de organizador. Não queria adeptos, queria construir militantes, pessoas críticas e esperançosas””, concluiu.

Também participaram da sessão solene a historiadora Marly de Almeida Gomes e o advogado e artista Idibal Pivetta.

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