Quebra de veto contra política de prevenção ao câncer de mama é reafirmada

12/08/2009 19:50:00

Audiência pública

A Bancada do PT e o mandato da deputada Beth Sahao realizou, em (11/8), uma audiência pública no auditório Teotônio Vilela, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, para discutir Políticas Públicas para a PREVENÇÃO E O COMBATE AO CÂNCER DE MAMA. O evento mobilizou mais de 80 pessoas, entre especialistas, entidades, secretários municipais de Saúde e o público em geral, que aprofundaram a discussão sobre o tema e buscam agora sensibilizar outros deputados para derrubar um veto do governador do Estado, José Serra, a um projeto de lei de autoria da deputada.

Beth fez a abertura da audiência procurando despertar nos presentes a necessidade de mobilização para pressionar outros deputados a rejeitar o veto e colocar em vigor a lei que propõe uma política pública de Prevenção e Combate ao Câncer de Mama eficaz. “Precisamos rapidamente prover os municípios não só de equipamentos, como também desenvolver campanhas e especialmente agilizar o acesso aos serviços, garantindo um diagnóstico rápido e um tratamento adequado”, disse. “Neste ano, segundo estatísticas do Ministério da Saúde, 50 mil mulheres terão a doença. Dessas, de 10 mil a 12 mil irão a óbito. Com ações eficazes, quantas vidas poderão ser salvas?”, questionou.

O professor-doutor Luiz Henrique Gebrim, diretor e professor-titular de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina – EPM/Unifesp e diretor do Hospital Pérola Byington, destacou que ainda são necessárias a capacitação de profissionais e a criação de protocolos de atendimento. Segundo ele, no Hospital Pérola Byington, 30% das mulheres atendidas não precisariam se deslocar até o hospital para fazer o acompanhamento e, dessas, 20% sequer tinham feito o exame clínico da mama onde foram atendidas inicialmente. “Sabemos ainda que demora de três a quatro meses para se iniciar o tratamento, quando não até seis meses. É preciso otimizar recursos, além de implantar um projeto articulado e persistente. Não podemos ter gargalos”, alertou.

Para o doutor João Carlos Sampaio Góes, diretor-técnico-científico e coordenador da campanha “O câncer de mama no alvo da moda”, o desenvolvimento de uma política de saúde de prevenção e combate ao câncer de mama precisa gerar recursos específicos. “Precisamos priorizar. Não dá para cair no bolo da saúde. A grande questão é quem paga a conta. Câncer de mama tem de ter dotação específica”, reforçou. A assistente social e doutora em Saúde Pública, Rosa de Lurdes Azevedo dos Santos, da Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos – Regional São Paulo disse também que o foco deve ser sempre a prevenção e o diagnóstico precoce, além de proporcionar um apoio técnico e psicológico adequados.

O gerente-médico do SUS – Sistema Único de Saúde, doutor Fernando Campos, do Hospital AC Camargo, entende que é necessário melhorar a interface entre as esferas de poder: Município, Estado e União. Segundo ele, entre outras questões, os protocolos de atendimento utilizados demoram muito a ser atualizados. Já o doutor Antonio Luís Cesarino de Moraes Navarro, diretor-superintendente da Fundação Amaral Carvalho, declarou que quando o assunto é câncer de mama recurso e resolubilidade é o binômio que se deve discutir. “Temos experiência com voluntários que são fiscais na execução dos serviços e da acessibilidade a eles. A presença deles resultou no aumento do índice de cura em 12%. Entre outros fatores, não houve inclusive fuga do tratamento”, explicou. Ele disse ainda que é necessário fazer um mapeamento de todo o serviço oferecido no Estado. “Precisamos mapear os recursos humanos e tecnológicos, para assim se falar em recursos financeiros (para saber quanto e onde investir), sem deixar de fiscalizar a resolubilidade”, acrescentou.

O deputado Fausto Figueira, presidente da Comissão de Saúde, na Assembleia, elogiou a iniciativa da deputada que mobilizou a sociedade civil para a discussão do tema. Para ele, que é médico, é importante que feito o diagnóstico da doença é fundamental que se tenha acesso ao tratamento. “Temos de padronizar os atendimentos e promover a humanização das perícias. Não é possível a humilhação que nossas mulheres sofrem. Tenho um projeto de lei que inclui o transporte como item de tratamento”, lembrou. O deputado representa a Baixada Santista, que tem maior incidência de câncer de mama no Estado e no País.

O público também participou do debate e deu sugestões para melhorar o atendimento e o tratamento da doença. A ex-vereadora de São José do Rio Preto Eni Fernandes sugeriu que os presentes, que vieram de várias cidades do Estado, encaminhassem às Câmaras Municipais e à Assembleia moções de apoio ao projeto de lei da deputada, solicitando a derrubada do veto. “A audiência tem de ter esse objetivo”, ressaltou. As voluntárias da UNACCAM – União e Prevenção ao Câncer de Mama fizeram um apelo: “Câncer não tem coloração partidária. Pega qualquer pessoa e a qualquer partido. Vamos ter de trabalhar juntos para derrubar o veto”.

Participaram ainda da mesa-redonda o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional São Paulo, Ivo Carelli Filho; a presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer do Estado de São Paulo, Vera Lúcia Fedato Monari; e o deputado Rui Falcão. “Estamos muito esperançosos que com esse apoio possamos colocar o projeto em prática”, destacou o deputado.

 

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