Representante da Sabesp diz que não houve paralisação do projeto Tietê, mas mudança de cronograma

16/09/2015

Tucanagem

Em audiência pública na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (15/9), o representante da Sabesp Dante Ragazzi Pauli listou uma série de “desculpas” para explicar a poluição do Rio Tietê, desde a existência de favelas até, segundo ele, a falta de colaboração das administrações municipais.

Mas a verdade é que o Projeto Tietê, que visa despoluir o rio que corta São Paulo, já gastou US$ 2,4 bilhões desde 1992, sem considerar a inflação. Participantes lembraram que no lançamento do projeto o então governador Fleury afirmou que em 2005 seria possível pescar no Tietê.

Essa semana a Sabesp anunciou o paralisação das obras, mas Dante afirmou, durante a audiência, se tratar apenas de “uma mudança no cronograma”, sem entrar em detalhes com relação aos prazos.

Parecendo desconsiderar os mais de 20 anos do processo, o superintendente chegou a afirmar que a despoluição do rio não se dará em apenas dois anos, pois dependeria de vários outros fatores além da competência da companhia de saneamento. “Numa metrópole de 20 milhões de habitantes, esqueçam a ideia de nadar no Tietê, quem pensa isso está voando”, afirmou irritado o funcionário do alto escalão da Sabesp.

Contrariando o representante da Sabesp, a ambientalista Malu Ribeiro afirmou que seria absolutamente possível tornar o Tietê navegável, bastando observar o trabalho que a própria natureza faz neste mesmo rio, que apesar do alto índice de contaminação é ressuscitado a partir do município de Salto. Malu sugeriu ainda que, no próximo encontro, estivessem presentes também representantes do Governo do Estado, dada a importância do assunto.

O prefeito de Santana de Parnaíba, Elvis Cezar, fez duras críticas à gestão da Sabesp. “É preciso eficiência na execução das obras da Sabesp, para que essa cidade histórica brasileira deixe de exalar o odor insuportável da poluição”. Elvis Cezar ainda falou os problemas de saúde que a poluição tem causado nos habitantes de Santana de Parnaíba.

Também o secretário de Meio Ambiente de Salto, João Conte Neto, criticou a ausência do Estado. “A Sabesp vem aqui e fala sobre os investimentos que tem feito, mas é sua obrigação”.

Segundo ele a municipalidade tem pagado a conta desse descaso. “Salto pagou a conta da mortandade de peixes e da lama que tomou conta da cidade em novembro de 2014”, reclamou o secretário, referindo-se ao episódio amplamente divulgado pela imprensa em que toneladas de peixes morreram asfixiadas.

A tentativa de culpar os municípios pela poluição do rio Tietê vem sendo uma estratégia usada pela Sabesp nos últimos anos, segundo o secretário de Meio Ambiente de Osasco, Carlos Marques. Ele contou que a prefeitura, com recursos da União, instalou uma pequena estação de tratamento de esgoto em um local onde uma nascente de água está sendo contaminada pelo esgoto. “Mas a Sabesp não assumiu a estação, o que seria sua responsabilidade, e está lá parada”, completou.

A audiência pública foi realizada pela Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa a partir de um requerimento do deputado Marcos Martins e contou com a participação de entidades ambientais, movimentos sociais, técnicos e representantes da Sabesp e da Cetesb, prefeituras e Legislativos municipais.

Na coordenação dos trabalhos, a deputada Ana do Carmo disse que vai propor à Comissão de Meio Ambiente que realize um seminário para discutir a metodologia usada pela Cetesb e Sabesp para o cálculo de índices relativos aos serviços de coleta e tratamento de esgoto, assim como sobre a qualidade da água. Dessa forma, pretende dar encaminhamento a propostas feitas por vários dos representantes presentes à audiência, e membros do Coletivo de Luta pela Água.

Também participaram da audiência pública os deputados Luiz Turco, Luiz Fernando e Enio Tatto.(FF)

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