Representantes da Associação Atlética são evasivos em depoimento à CPI

03/02/2015

CPI da USP

Representantes da Associação Atlética são evasivos em depoimento à CPI

Fonte de muitas denúncias de casos de violência, a Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz (AAAOC), teve dois de seus integrantes indagados pela CPI da USP, nesta terça- feira 03/02.
O primeiro a ser ouvido pela CPI foi diretor social da Atlética, no ano passado, André Orki Custódio Abe, estudante do quarto ano do curso medicina, que ao longo da sessão se esquivou das perguntas dos parlamentares.

Inquirido pelos deputados sobre as festas patrocinadas pela Atlética, famosas pelo número de adesão, frequentada por cerca de 3 mil pessoas,de acordo com os relatos à CPI o evento tinha em seu portfólio segundo denúncias e depoimentos a comercialização de muita bebida, presença de garotas de programa, cabines para a prática de sexo, exibição de filmes pornos e discriminação aos homossexuais; – André repetiu com frequência o argumento que desconhecia os fatos mencionados, embora admitia ser um dos organizadores dos eventos.

Para se contrapor a alegação do depoente, a CPI exibiu filmes feitos por meio de uma câmara de celular, em que uma segurança contratada para a festa diz ter sido orientada a não permitir a entrada de casais homossexuais.

Ainda assim, André manteve a postura e continuou negando ter conhecimento do que acontecia nas festas. Em um dado momento o deputado Adriano Diogo, presidente da CPI, apelou para que estudante colaborasse com os trabalhos e apresentasse os dados e documentos solicitados sob pena de serem obtidos por meio de uma ação de busca de apreensão.
André recuou e disse que tinha algumas informações em seus e-mails afirmou que enviaria à Comissão Parlamentar de Inquérito.

Outras cenas apresentadas ao depoente, compostas por bandas que entoavam marchinas de conteúdos depreciativos às mulheres e trotes violentos ocorridos num cenário parecido a um centro cirúrgico, que segundo depoimentos prestados à CPI ocorriam na Faculdade de Medicina da USP.

Indagado sobre a avaliação destes fatos, Abel se conteve em dizer que não aprovava e que nunca soube, não participou, só ouviu falar. O segundo depoimento foi feito por Paulo Comarin, que inicialmente alegou não saber a motivação de sua convocação.

Confrontado com uma postagem em seu perfil no Facebook, onde o médico formado no ano passado, desqualifica uma das vítima de violência sexual que denunciou o abuso, em depoimento à CPI, Paulo chegou a minimizar o fato e disse que foi no calor do momento que fez aqueles xingamentos e humilhações.

Presidente da Atlética durante o ano de 2014, Douglas Rodrigues da Costa, estudante da FMUSP e atleta de beisebol, falou da organização da Intermed. É uma liga que reúne 18 faculdades de Medicina e que negocia com as prefeituras sedes dos jogos e com algumas empresas patrocinadoras.

Sobre as festas no campus da faculdade, Douglas disse que após os problemas ocorridos na Carecas no Bosque de 2014, com muitas reclamações da vizinhança, a festa que aconteceria no segundo semestre, Fantasias no Bosque, foi cancelada. Soube depois do problema com os seguranças, que impediram a entrada de homossexuais na festa Carecas no Bosque. Do Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual (GADvS), Paulo Iotti falou que a Atlética deveria ter soltado uma nota de repúdio a esta denúncia de homofobia.

Questionado pelo presidente Diogo, Douglas Costa afirmou que as músicas do cancioneiro da bateria muitas vezes deixam de ser entoadas, porque são antigas e referentes a turmas passadas. São hinos feitos muitas vezes para provocar outras faculdades de Medicina na Intermed, e não podem ser levadas ao pé da letra.
Os depoimentos foram acompanhados também pelo deputado petista Marco Aurélio. (RM)

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