Risco de contaminação preocupa usuários e vizinhos da USP Leste

17/02/2011 16:03:00

Meio Ambiente

 

Localizada em uma região contaminada por gás metano e sem um sistema adequado de drenagem do subsolo, a USP Leste ainda não dispõe das licenças ambientais necessárias para funcionar. Um relatório do Instituto de Pesquisas Tecnológicas alerta para o risco de incêndios e intoxicações decorrentes da emanação de gases e vapores na área.

Inaugurado em fevereiro de 2005, o campus ainda não ganhou sequer as mais de 3 mil árvores previstas no acordo entre a Universidade e a Secretaria do Meio Ambiente. 

Além dos problemas no processo de licença ambiental para o funcionamento do campus, a USP Leste está sob investigação no Ministério Público Estadual, que já resultou em um parecer técnico que recomenda “a imediata paralisação de toda e qualquer atividade acadêmica na área da Gleba 1.”.

A Gleba 1 tem 250 mil m² e, antes da implantação dos prédios da USP, era utilizada como depósito de dejetos retirados do leito do Rio Tietê. Segundo o parecer do MPE, o seu lençol freático da área está contaminado pela poluição industrial.

Vizinhos

Os problemas são ainda maiores nos vizinhos da USP Leste. Os moradores do Jardim Keralux, que é o bairro mais próximo do campus, convivem com esgoto a céu aberto, ruas sem asfalto, e suspeitas de contaminação do solo por resíduos de pesticida.

O bairro foi sede de uma fábrica de cerâmicas nos anos 70 e, depois, foi loteado irregularmente. No ano passado, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente pediu uma “Investigação Detalhada com Análise de Risco à Saúde Humana” da área. No entanto, o processo jurídico para a realização desta investigação ainda não foi finalizado.

Segundo reportagem de Ana Maria Barbour, publicada na Revista da Associação dos Docentes da USP, “o projeto da USP Leste tem entre seus objetivos a integração e troca de experiências da academia com a comunidade do bairro. Em 2006, o relatório A EACH e a situação socioambiental do Jardim Keralux, de autoria de um grupo interdisciplinar de docentes, registrou que ‘dada a gravidade da situação em que se encontram os moradores vizinhos ao campus, e o fato da comunidade EACH-USP provavelmente também estar sendo afetada pelos problemas ambientais do Jardim Keralux, faz-se necessária a gestão junto ao governo do Estado visando a solução do problema de flagrante degradação da qualidade ambiental.”.

 

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