Rodoanel Leste não atinge metade do fluxo previsto

20/02/2015

Tucanagem

Rodoanel Leste não atinge metade do fluxo previsto

Cotado como principal alternativa à redução de tráfego na Avenida Jacu- Pêssego, o trecho Leste do Rodoanel,inaugurado há oito meses, ainda não atingiu a metade de fluxo esperado, segundo informações da concessionária SPMAR. A previsão da empresa é que, 49 mil carros, motos, caminhões e ônibus passem pela rodovia diariamente.

Segundo o diretor executivo da SPMAR, Marcos Abreu Fonseca, o baixo fluxo é preocupante e defende a restrição ao tráfego de caminhões na Jacu- Pêssego, como melhoria a mobilidade da cidade de São Paulo.

Para o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Estado de São Paulo, Norival de Almeida Silva, a Jacu Pêssego ainda tem intenso fluxo de caminhões principalmente porque as transportadoras e empresas que precisam escoar suas produções ficam nas imediações da avenida.

Norival avalia que a proibição de caminhões “é algo impensável que vai detonar a já dolorida vida dos caminhoneiros. “ Nós não vamos deixar que isso aconteça, ameaçou.

Polêmicas do Rodoanel

A obra começou em 2011, foi entregue com atraso de mais de três meses – 114 dias, ao custou R$ 3,6 bilhões. O governo do Estado argumenta que o trânsito seria pior sem a retirada dos 260 mil caminhões que deixaram de circular em São Paulo. Para o professor Creso de Franco Peixoto “as obras trazem pouco impacto no tráfego. Temos que focar no número de passageiro por hora”, e defendeu maior investimento em transportes de massa, como trem, metrô e ônibus.

Outra questão abordada na ocasião da construção da obra foram as desapropriações levadas à cabo pela concessionária, que atingiu moradores de baixa renda, principalmente da cidade de Poá.
Em 2013, a Comissão de Transportes e Comunicação da Assembleia Legislativa ouviu o diretor da concessionária SPMAR, Alberto Luiz Lodi, sobre as denúncias de falta de diálogo, o baixo valor pago as 780 desapropriações e a ausência de apoio do Estado.

A obra iniciada no governo do então governador José Serra foi alvo de denuncias de superfaturamento sustentada em avaliações realizadas pelo Tribunal de Contas da União.
Publicado em 2009, relatório de auditores do TCU apontaram prejuízo de R$ 184,4 milhões aos cofres públicos, ao identificaram que a obra teve compra de itens com valor, em média, 30% acima dos preços usados como referência no orçamento.

Ao custo total de R$ 3,6 bilhões, a obra foi dividida em cinco lotes entre a Dersa e consórcios de empreiteiras. Em todos há diferenças entre o preço calculado e o previsto em orçamento. Os itens com os maiores sobrepreços absolutos são compactação de aterro, compra de concreto altamente resistente, transporte de material escavado e limpeza, segundo constou análise do TCU.(rm)

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